segunda-feira, 28 de setembro de 2026
MANCHETES

Destinos pouco explorados para descobrir no Rio Grande do Sul

O Rio Grande do Sul tem destinos menos conhecidos que combinam natureza, patrimônio histórico, gastronomia e turismo rural. Conheça sete lugares para incluir no planejamento de uma viagem pelo Estado.

O Rio Grande do Sul é conhecido por destinos como Gramado, Canela, Bento Gonçalves e Torres, mas o mapa turístico do Estado vai muito além desses municípios. Em diferentes regiões, cidades menores preservam paisagens naturais, patrimônios históricos, tradições de imigração e experiências de turismo rural que ainda recebem menos visitantes.

Entre as opções estão um geoparque reconhecido pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), uma unidade de conservação com o Salto do Yucumã, antigas colônias de imigrantes, águas termais e áreas de interesse paleontológico. São destinos indicados para quem busca viagens mais tranquilas e roteiros que dependem menos de atrações concentradas em grandes centros turísticos.

A expressão “pouco explorados” é relativa: todos os locais já contam com algum nível de estrutura e divulgação turística. Ainda assim, eles tendem a aparecer menos nos roteiros tradicionais de primeira viagem pelo Rio Grande do Sul.

Quarta Colônia combina fósseis, cultura e paisagens rurais

Na região central do Estado, a Quarta Colônia reúne nove municípios: Agudo, Dona Francisca, Faxinal do Soturno, Ivorá, Nova Palma, Pinhal Grande, Restinga Seca, São João do Polêsine e Silveira Martins. A área está próxima de Santa Maria e reúne marcas da colonização italiana, influências alemãs, tradições religiosas, gastronomia e paisagens formadas por vales, rios e áreas de Mata Atlântica.

O principal destaque recente é o Geoparque Mundial da Unesco Quarta Colônia, reconhecido em 2023. O território possui patrimônio geológico e paleontológico associado ao período Triássico, com fósseis de animais que viveram há mais de 200 milhões de anos. A região também é relacionada a descobertas de espécies de dinossauros consideradas exclusivas do geoparque.

Além do interesse científico, a viagem pode incluir mirantes, trilhas, cascatas, igrejas, propriedades rurais e espaços de pesquisa e divulgação paleontológica. A combinação permite organizar um roteiro que não se limita a um único atrativo, mas percorre diferentes municípios e paisagens.

Para aproveitar melhor a visita, é recomendável verificar previamente os horários de museus, centros de pesquisa, restaurantes e propriedades rurais. Parte das experiências depende de agendamento, especialmente aquelas realizadas no interior.

Derrubadas guarda o Salto do Yucumã

No noroeste do Rio Grande do Sul, o município de Derrubadas é uma das portas de entrada para o Parque Estadual do Turvo, uma das principais áreas protegidas do Estado. O parque abriga remanescentes de Mata Atlântica e concentra trilhas, rios e áreas de observação da natureza.

O atrativo mais conhecido é o Salto do Yucumã, formado por quedas longitudinais no Rio Uruguai, na fronteira com a Argentina. De acordo com a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, o conjunto se estende por cerca de 1.800 metros, com quedas que variam de 3 a 12 metros de altura. A visibilidade das quedas pode mudar conforme o nível do rio.

Derrubadas também reúne propriedades rurais com áreas de camping, trilhas e cachoeiras. A secretaria estadual informa que o município possui dezenas de quedas d’água, embora nem todas tenham a mesma estrutura de visitação.

O passeio exige atenção às regras de acesso e às condições climáticas. Como se trata de uma área de conservação, o visitante deve seguir as orientações do parque, evitar deixar resíduos e não sair das trilhas autorizadas. Antes de viajar, é importante confirmar se o parque e o acesso ao salto estão abertos.

Nova Esperança do Sul reúne gruta, balneários e história local

Nova Esperança do Sul, na região central do Estado, é uma alternativa para quem procura um roteiro que combine natureza e patrimônio cultural. O município conta com balneários às margens de rios, áreas para camping e locais destinados ao lazer em contato com a água.

Entre os atrativos listados pelo turismo estadual estão as cascatas Véu de Noiva e dos Corvos, próximas à Gruta Subterrânea Nossa Senhora de Fátima. A formação em arenito possui uma grande sala interna e é utilizada para visitação religiosa e turística. O local também apresenta áreas de banho e estrutura de apoio, conforme a descrição oficial do município.

A cidade mantém ainda construções relacionadas à presença de imigrantes italianos, como a Casa de Pedra da Família Ferrari e a Igreja São Caetano de Linha Um. A produção de botas, calçados e artigos de couro também aparece entre as atividades econômicas e os pontos de interesse locais.

O destino pode ser incluído em uma viagem de fim de semana, mas os horários de funcionamento dos balneários e das atrações devem ser confirmados antes do deslocamento. Em períodos de chuva, trilhas, estradas de chão e áreas de banho podem apresentar condições diferentes das habituais.

Ametista do Sul transforma mineração em experiência turística

No norte do Estado, Ametista do Sul é conhecida pela extração e pelo comércio de pedras preciosas. A atividade mineral se tornou parte da identidade turística do município, que oferece visitas a espaços relacionados às ametistas, exposição de geodos e experiências ligadas à produção local.

A proposta do destino é apresentar ao visitante uma parte da cadeia que envolve a mineração, desde a presença das pedras no subsolo até o beneficiamento e a comercialização. O município também reúne atrações de gastronomia, agroindústria e produção de vinhos, de acordo com o catálogo turístico estadual.

O passeio é indicado para quem deseja conhecer um aspecto diferente do turismo gaúcho, menos associado a paisagens de serra ou praias. A geologia aparece como elemento central da viagem, ao lado da cultura de uma cidade cuja economia está diretamente ligada às pedras.

Como algumas atrações funcionam em propriedades privadas ou dependem de horários específicos, o planejamento antecipado ajuda a evitar deslocamentos sem atendimento. Também vale priorizar estabelecimentos que apresentem informações claras sobre origem, produção e comercialização das peças.

Antônio Prado preserva arquitetura e sabores coloniais

Antônio Prado, na Serra Gaúcha, costuma ficar fora do circuito mais conhecido formado por Gramado, Canela e Bento Gonçalves. O município, porém, preserva um dos principais conjuntos arquitetônicos ligados à imigração italiana no Brasil. Segundo a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul, são 48 edificações tombadas, além da presença do dialeto talian e de costumes mantidos por gerações.

O centro histórico pode ser combinado com o Roteiro Recantos Coloniais, que percorre a área rural e reúne propriedades voltadas à produção agroecológica, vinhos, alimentos coloniais e experiências gastronômicas. Entre os pontos indicados estão o Moinho Francescatto, a Cantina Zulian, a Vinícola Zanella, o Armazém do Prado e o Santuário da Madona de Monte Bérico.

A principal diferença em relação aos roteiros mais movimentados da Serra é o ritmo da visita. Em vez de concentrar a programação em grandes parques ou atrações temáticas, o viajante encontra pequenas propriedades, espaços familiares e construções que ajudam a contar a história da colonização.

O roteiro rural exige atenção ao agendamento. A própria divulgação oficial informa que parte das visitas ocorre mediante reserva. Por isso, é necessário consultar diretamente os estabelecimentos antes de definir o itinerário.

Rolante é opção para quem procura cachoeiras e trilhas

Localizado no Vale do Paranhana, Rolante oferece uma alternativa para quem busca natureza sem seguir necessariamente para os destinos mais conhecidos da Serra. O município possui áreas rurais, estradas vicinais, morros e cursos d’água que formam diferentes opções de passeio.

Entre os atrativos divulgados pelo Estado estão as cascatas da Colônia Monge, das Andorinhas e das Três Quedas. Algumas exigem caminhada por trilhas em áreas de mata, enquanto outras contam com espaços para camping ou acesso por estradas de chão.

O município também tem relação com antigas rotas de tropeiros. A chamada Ponte do Passo do Sabiá, por exemplo, é apresentada como uma travessia associada ao caminho utilizado por tropas de gado a partir do século 18. O turismo local ainda inclui cicloturismo, voo livre e venda de produtos coloniais.

Rolante é mais indicado para quem aceita uma programação flexível e tem disposição para atividades ao ar livre. Calçados adequados, atenção à previsão do tempo e confirmação das condições das trilhas são cuidados básicos para a viagem.

Marcelino Ramos combina termas, lago e memória ferroviária

Na divisa com Santa Catarina, Marcelino Ramos reúne turismo termal, paisagens de montanha e patrimônio ferroviário. O município está às margens do lago formado pelo Rio Uruguai e possui áreas de lazer associadas às águas termais.

As Termas de Marcelino Ramos contam com piscinas, duchas, área de camping, hotéis, pousadas e restaurantes. A divulgação oficial informa que a água da fonte chega a cerca de 38 graus. O local é voltado ao lazer e ao descanso, com opções para famílias e visitantes que desejam permanecer mais de um dia na região.

Outro atrativo é o passeio de Maria Fumaça entre Marcelino Ramos e a comunidade de Uruguai, em Piratuba, Santa Catarina. O trajeto passa pela Ponte Rodoferroviária, construída em 1913, e acompanha o lago do Rio Uruguai. A operação, no entanto, pode depender de calendário, reserva e condições específicas.

O município também abriga o Parque Natural Municipal Mata do Rio Uruguai Teixeira Soares, com área de mata e trilhas. A combinação entre termas, trem histórico e natureza permite montar um roteiro de dois ou mais dias, especialmente para quem viaja em ritmo mais tranquilo.

Como planejar uma viagem pelos destinos menos conhecidos

Os destinos menos explorados do Rio Grande do Sul podem oferecer experiências mais personalizadas, mas nem sempre têm a mesma infraestrutura dos grandes polos turísticos. Em algumas localidades, as distâncias entre os atrativos são longas e o transporte público é limitado. Viajar de carro costuma facilitar o acesso a áreas rurais, parques e propriedades particulares.

Também é importante separar os atrativos por região. A Quarta Colônia e Nova Esperança do Sul podem ser combinadas em um roteiro pelo centro do Estado. Derrubadas e Ametista do Sul exigem mais tempo de deslocamento, enquanto Antônio Prado, Rolante e Marcelino Ramos funcionam melhor em viagens específicas ou combinadas com municípios próximos.

Antes da saída, o viajante deve conferir horários, necessidade de reserva, condições das estradas, regras de acesso a unidades de conservação e previsão do tempo. A consulta aos canais oficiais de turismo e aos próprios empreendimentos ajuda a reduzir imprevistos.

Mais do que buscar atrações desconhecidas a qualquer custo, a proposta desses destinos é conhecer diferentes paisagens e histórias do Rio Grande do Sul. São viagens que valorizam comunidades locais, patrimônio, produção rural e áreas naturais ainda menos presentes nos roteiros tradicionais.