A relação profissional entre o empresário, publicitário e pesquisador Durango Duarte e o governador eleito do Amazonas, Omar Aziz (PSD), começou na década de 1980 e agora se conecta ao Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas. Apresentado como uma das bases do projeto de governo, o planejamento reúne aproximadamente 1.742 páginas distribuídas em três volumes.
Coordenado por Durango, o trabalho envolveu pesquisadores, professores, economistas, especialistas em políticas públicas, profissionais da administração e representantes de diferentes setores da sociedade. O material apresenta diagnósticos, indicadores, metas e propostas para áreas como economia, saúde, educação, segurança pública, infraestrutura, assistência social, habitação, meio ambiente, tecnologia, inovação e desenvolvimento regional.
Omar Aziz foi eleito governador do Amazonas no domingo, 25 de outubro de 2026, ao lado da vice-governadora eleita Alessandra Campêlo. A posse da nova gestão está prevista para janeiro de 2027. O plano foi organizado com a intenção declarada de formular uma agenda que ultrapasse o período de um mandato.
Uma relação iniciada na vida política amazonense
Durango Duarte nasceu em 11 de novembro de 1963, em Cachoeira do Sul, no Rio Grande do Sul, e chegou a Manaus em 1975. Foi na capital amazonense que desenvolveu a maior parte de sua trajetória profissional, empresarial e política.
Sua aproximação com a política ocorreu durante o movimento estudantil, na década de 1980. Nesse período, participou de mobilizações pela redemocratização do país e de atividades de representação universitária. Também estabeleceu relações que acompanhariam sua atuação nas décadas seguintes.
Em 1988, Durango foi convidado por Omar Aziz para assumir a direção executiva da Fundação de Apoio e Desenvolvimento Comunitário (Fundac). No mesmo ano, participou da primeira campanha eleitoral de Omar para a Câmara Municipal de Manaus.
A partir dali, os dois mantiveram uma relação profissional em diferentes momentos da política amazonense. Entre 1989 e 1990, Durango atuou como consultor do então prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto. Mais tarde, desenvolveu trabalhos ligados a gestões estaduais de Amazonino Mendes, Eduardo Braga, Omar Aziz e Wilson Lima, além de administrações municipais.
As atividades envolveram comunicação institucional, planejamento governamental, estudos e projetos de políticas públicas. Entre as iniciativas associadas à sua trajetória estão Ronda no Bairro, Amazonas Digital, Viver Melhor, Cidade Universitária e Bolsa Universidade.
Pesquisas, comunicação e gestão de projetos
A formação de Durango inclui estudos em Engenharia, Matemática e Jornalismo na antiga Universidade do Amazonas, atual Universidade Federal do Amazonas (Ufam). Ele também é graduado em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda, pelo Centro Universitário do Norte (Uninorte).
Ao longo da carreira, realizou especializações em marketing, políticas públicas, governo, inovação e transformação digital. Esses campos se relacionam à atuação em pesquisas, comunicação, consultoria e planejamento estratégico.
A experiência com pesquisas começou em 1990, em trabalhos desenvolvidos com professores do Departamento de Estatística da Universidade do Amazonas. Na época, participou de iniciativas de acompanhamento e apuração eleitoral paralela, em um contexto no qual a totalização oficial dos resultados podia levar vários dias.
Em 13 de julho de 1993, fundou a Perspectiva Tecnologia da Informação, que posteriormente passou a atuar sob a marca Perspectiva Mercado e Opinião. A empresa desenvolveu pesquisas eleitorais, estudos de mercado, levantamentos de opinião pública e análises sobre o comportamento dos consumidores.
Segundo informações de sua trajetória profissional, a empresa realizou mais de mil projetos de pesquisa, enquanto Durango acompanhou 22 eleições desde 1982. Ele também criou o Top of Mind, levantamento voltado às marcas e aos produtos mais lembrados pelos consumidores de Manaus.
Expansão empresarial e produção de conhecimento
As atividades de Durango se expandiram para comunicação, tecnologia e publicidade. Em 2009, ele fundou a The Voice, empresa voltada à publicidade em painéis eletrônicos de LED. Em 2019, criou a iMarketing, com serviços de comunicação digital, marketing, pesquisas e monitoramento de informações.
Em 2021, fundou a Red Agency, voltada ao setor publicitário, e estruturou a DMD Holding para organizar suas atividades e participações empresariais. A atuação em diferentes empresas ampliou sua experiência em gestão de equipes, desenvolvimento de projetos e planejamento.
Outra frente de sua trajetória está ligada à preservação da memória histórica do Amazonas. Em 2015, fundou o Instituto Durango Duarte (IDD), organização sem fins lucrativos dedicada à pesquisa, à documentação e à preservação de registros históricos. Inaugurado oficialmente em abril de 2016, o instituto reúne jornais, fotografias, documentos e outras fontes sobre Manaus, o Amazonas e o Brasil.
Durango também participou da publicação de obras sobre política, cultura, comunicação e história regional. Entre os trabalhos estão Informação é Tudo, de 2005; Manaus, entre o Passado e o Presente, de 2009; Imprensa Amazonense, de 2015; e Manaus 350 Anos, de 2020.
Como o plano foi organizado
Na elaboração do Plano Estratégico de Desenvolvimento do Amazonas, Durango coordenou equipes responsáveis por áreas temáticas distintas. O trabalho reuniu estudos, diagnósticos e propostas para a administração estadual, organizados em três volumes.
O primeiro volume trata da situação fiscal do estado, dos efeitos da Reforma Tributária, da infraestrutura, da logística e da diversificação econômica. Também apresenta diretrizes para o fortalecimento da Zona Franca de Manaus, a expansão das atividades produtivas no interior, a bioeconomia, o turismo, a piscicultura, a fruticultura, a ciência e a tecnologia.
O documento relaciona essas áreas à necessidade de ampliar a capacidade de investimento do Amazonas e reduzir desigualdades econômicas entre Manaus e os municípios do interior.
O segundo volume reúne propostas para saúde, segurança pública e assistência social. Na saúde, o planejamento prevê a regionalização do atendimento, a ampliação da telessaúde nos 62 municípios, o fortalecimento dos polos regionais e o uso de barcos-hospitais e equipes itinerantes.
Na segurança pública, o plano propõe a modernização do Ronda no Bairro e sua ampliação por meio do Ronda nos Municípios, Ronda nos Rios, Ronda Social e Ronda Digital. Na assistência social, o programa Amazonas Forte Social prevê o fortalecimento da rede de proteção às famílias vulneráveis e a ampliação das oportunidades de autonomia econômica.
O terceiro volume concentra temas como educação, cultura, habitação, meio ambiente, políticas indigenistas, ciência, tecnologia e inovação. Entre as propostas estão o Pacto Estadual de Alfabetização, o fortalecimento do ensino médio, a expansão da educação profissional e tecnológica e a modernização dos serviços públicos pelo programa Amazonas Digital e Inovador.
O volume também contempla o fortalecimento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam) e do Centro de Educação Tecnológica do Amazonas (Cetam), além de políticas de valorização cultural e proteção dos povos indígenas.
Participação de especialistas e continuidade das políticas
Os três volumes somam aproximadamente 1.742 páginas. A elaboração contou com profissionais de diferentes especialidades, entidades de classe, instituições de pesquisa, organizações da sociedade civil e representantes do setor produtivo.
O segundo volume registra a participação direta de mais de 200 colaboradores. O terceiro menciona mais de uma centena de participantes. Os documentos procuram relacionar os problemas identificados às soluções propostas e aos mecanismos necessários para a execução.
Entre os objetivos do planejamento está a continuidade de políticas públicas, com iniciativas que possam permanecer em funcionamento mesmo diante de mudanças de governo. O material também aborda inteligência artificial, transformação digital, mudanças climáticas, desenvolvimento sustentável e modernização da administração pública.
A previsão é que as ações sejam acompanhadas por indicadores, metas e instrumentos de avaliação. Esses mecanismos devem permitir o acompanhamento dos resultados ao longo da execução das medidas previstas.
O plano na próxima administração estadual
Com a eleição de Omar Aziz, o trabalho coordenado por Durango Duarte passa a integrar o conjunto de referências técnicas disponíveis para a próxima administração do Amazonas. Omar retorna ao comando do Executivo estadual depois de ter governado o estado entre 2010 e 2014. Alessandra Campêlo será a vice-governadora, primeira mulher eleita para o cargo no Amazonas.
A gestão que assumirá em janeiro de 2027 terá, de acordo com o planejamento, propostas relacionadas à reorganização administrativa, à ampliação dos investimentos, à melhoria dos serviços públicos e ao desenvolvimento dos municípios do interior.
A implementação das medidas dependerá da definição de prioridades, da disponibilidade orçamentária, da capacidade de execução dos órgãos estaduais e da articulação com municípios, União e setor produtivo.
O plano representa, assim, a conexão entre uma trajetória profissional iniciada nas pesquisas e na comunicação, a experiência em consultoria e gestão de projetos e uma agenda organizada para diferentes áreas do governo estadual. Para Durango Duarte, o trabalho reúne experiências acumuladas em mais de quatro décadas. Para a futura administração, constitui uma base de diagnósticos e propostas a ser considerada na formulação das políticas públicas do Amazonas.








