sábado, 31 de outubro de 2026
CIDADES

Pontos históricos e culturais de Estrela, no Rio Grande do Sul, revelam a formação do Vale do Taquari

Os pontos históricos e culturais de Estrela, no Rio Grande do Sul, ajudam a compreender a formação do município e sua relação com o Rio Taquari. Escadarias, antiga área portuária, patrimônio ligado à cervejaria Polar, espaços de memória e festas de origem germânica formam um roteiro marcado por história e identidade local.

Os pontos históricos e culturais de Estrela, no Rio Grande do Sul, estão diretamente ligados à relação do município com o Rio Taquari, à colonização de origem alemã e ao processo de desenvolvimento econômico do Vale do Taquari. Parte dessa trajetória pode ser identificada em escadarias, prédios, espaços de memória, festas tradicionais e manifestações culturais mantidas pela comunidade.

Localizada a cerca de 113 quilômetros de Porto Alegre, Estrela teve sua formação associada à antiga Fazenda Estrela, instalada em 1856 pelo coronel Victorino José Ribeiro. O município se emancipou em 20 de maio de 1876, por meio da Lei Provincial nº 1.044. A cidade cresceu a partir da margem do Rio Taquari, que durante décadas funcionou como uma das principais vias de circulação de pessoas e mercadorias na região. (turismo.rs.gov.br)

Rio Taquari e a formação de Estrela

Antes da expansão das rodovias e da consolidação do transporte ferroviário, o Rio Taquari tinha papel central na conexão de Estrela com outras localidades. A navegação permitia o transporte de produtos agrícolas, insumos e passageiros, além de estimular a instalação de atividades comerciais e industriais nas proximidades da margem.

Essa importância explica por que muitos dos principais pontos históricos de Estrela estão concentrados na área central e no entorno do rio. O antigo porto não era apenas uma estrutura de embarque e desembarque. Era também um espaço de encontro, comércio e circulação, onde se cruzavam moradores, viajantes, barqueiros e comerciantes.

A história da cidade também registra a influência da colonização alemã na formação dos costumes locais. Essa presença aparece na arquitetura, na gastronomia, nas festas comunitárias e na atuação de grupos folclóricos. O turismo estadual destaca que a herança germânica é percebida em eventos como o Festival do Chucrute e o Kerb, além das apresentações de grupos de danças típicas. (turismo.rs.gov.br)

Escadaria e antigo Porto de Estrela

Entre os pontos históricos e culturais de Estrela RS, a escadaria localizada junto ao Rio Taquari ocupa posição central. O espaço remete ao antigo Porto de Estrela, cuja escadaria de acesso foi inaugurada em 1924. O local servia como porta de entrada e saída de pessoas e mercadorias, em um período no qual o transporte fluvial era decisivo para a economia regional.

A estrutura também ficou associada às chamadas maxambombas, mecanismos usados para auxiliar as operações de carga e descarga nos portos do Rio Taquari. Registros históricos indicam que Estrela chegou a contar com mais de uma dessas estruturas, instaladas junto a trapiches e áreas de armazenamento.

O funcionamento do porto foi afetado por transformações na navegação e por grandes enchentes. A cheia de 1941 provocou danos importantes na região e prejudicou a ligação regular por barcos entre Estrela e outros pontos do vale. Décadas depois, em 1974, a área foi incorporada à expansão da cervejaria Polar, e a antiga escadaria acabou aterrada ou encoberta por novas construções.

Com o fechamento da fábrica, o espaço passou por processos de reabertura, recuperação e revitalização. Os degraus antigos foram localizados durante as obras, e as estátuas que representam a indústria e o comércio voltaram a integrar o conjunto. A estrutura recuperada passou a reunir área de convivência, acesso ao rio, mirante e espaços para atividades culturais. (sites.google.com)

A antiga fábrica da Polar

A antiga fábrica da Polar é outro marco da história econômica e urbana de Estrela. A empresa foi fundada em 1912 e se tornou uma das referências da atividade cervejeira no município. Ao longo do século 20, a fábrica ampliou sua presença na área central e alterou a relação entre a cidade, as ruas próximas e o acesso ao Rio Taquari.

O complexo industrial também se relaciona com mudanças no uso do espaço público. Na década de 1970, trechos de ruas foram destinados à expansão da fábrica, interrompendo caminhos tradicionais usados pelos moradores. Com o encerramento das atividades da cervejaria em 2006, o conjunto passou a ser objeto de discussões sobre memória, patrimônio e reocupação urbana.

Em 2007, a Prefeitura de Estrela adquiriu imóveis ligados à antiga fábrica em parceria com a iniciativa privada. No ano seguinte, ruas que haviam permanecido fechadas por décadas foram reabertas à comunidade. O local passou a receber ações de revitalização, exposições, eventos e intervenções artísticas.

O conjunto da antiga Polar é considerado relevante por reunir dimensões industriais, urbanísticas e sociais da história estrelense. Um diagnóstico técnico elaborado no âmbito do planejamento territorial do Estado identifica a área como de interesse histórico e patrimonial e registra a presença de edificações públicas, privadas e espaços de valor cultural no centro da cidade. (gruporuadapraia.org)

Escadaria do Zigue-Zague

Outra passagem histórica de Estrela é a escadaria conhecida como Zigue-Zague. O caminho ligava a parte central da antiga vila à chamada Rua da Praia, junto ao rio. Durante décadas, o trajeto foi utilizado por moradores, comerciantes, estudantes, religiosos, viajantes e trabalhadores que circulavam entre as áreas mais altas e a margem.

O nome está relacionado ao desenho sinuoso da escadaria, que acompanhava o desnível do terreno. Mais do que uma obra de circulação, o local acumulou lembranças da vida cotidiana da cidade. Relatos de moradores associam o espaço a encontros, deslocamentos diários e atividades comerciais ligadas ao antigo porto.

A escadaria foi parcialmente interrompida quando áreas próximas foram utilizadas para a ampliação da cervejaria Polar. A recuperação de trechos do caminho integrou um esforço mais amplo de valorização da área histórica junto ao rio. Hoje, o Zigue-Zague é lembrado como parte do conjunto cultural formado pela antiga fábrica, pela escadaria do porto, pelo Memorial de Estrela e por espaços de convivência do centro. (grupoahora.net.br)

Memorial, Casa de Cultura e arquitetura do centro

A preservação da memória de Estrela também ocorre em espaços voltados a exposições, documentos, fotografias e atividades culturais. O Memorial de Estrela e a Casa de Cultura aparecem entre os equipamentos públicos identificados no centro histórico e funcionam como referências para a compreensão da trajetória do município.

O conjunto urbano reúne ainda antigas residências, prédios institucionais e construções comerciais que ajudam a explicar a evolução da cidade. Muitas dessas edificações são privadas, enquanto outras têm uso público ou institucional. A presença de diferentes períodos construtivos permite observar a transição entre a vila ligada ao transporte fluvial, a cidade industrial e o município contemporâneo.

O diagnóstico territorial produzido para Estrela aponta a existência de uma área com potencial histórico e patrimonial no centro urbano. Entre os elementos destacados estão a Casa de Cultura, o Memorial de Estrela, a sede da Prefeitura, a antiga área da Polar, a Capela São José, a Rua Coronel Brito e outros imóveis e espaços de interesse histórico. (sedur.rs.gov.br)

Festival do Chucrute e herança germânica

Na dimensão imaterial, o Festival do Chucrute é uma das manifestações mais conhecidas de Estrela. Realizado dentro da programação de aniversário do município, o evento reúne bailes típicos, gastronomia alemã, apresentações de danças folclóricas e atividades comunitárias.

O festival expressa a permanência de costumes associados à imigração alemã no Rio Grande do Sul, mas também funciona como espaço de convivência entre diferentes gerações. As apresentações de dança, os trajes típicos, a música e os pratos tradicionais transformam referências familiares em uma celebração pública da identidade local.

Informações do turismo estadual registram a participação de centenas de dançarinos ligados aos grupos folclóricos de Estrela em edições do evento. A programação também inclui jantar com culinária alemã e atividades realizadas no Centro Comunitário Cristo Rei. (turismo.rs.gov.br)

Grupos de danças e continuidade cultural

Os grupos de danças folclóricas têm papel importante na transmissão das tradições culturais de Estrela. A atividade envolve crianças, jovens, adultos e antigos integrantes, criando uma continuidade entre as gerações e mantendo repertórios de música, coreografias e vestimentas de origem europeia.

O Grupo de Danças Folclóricas de Estrela iniciou suas atividades em 1964, segundo registros divulgados sobre a história cultural do município. Ao longo das décadas, os grupos passaram a participar de festivais, encontros e eventos dentro e fora do Rio Grande do Sul.

Essa permanência ajuda a explicar por que a cultura germânica em Estrela não se limita à arquitetura ou à gastronomia. Ela também está presente na organização comunitária, no calendário de eventos e na formação de espaços de participação social. Ao mesmo tempo, a leitura histórica da cidade exige reconhecer que a formação regional foi mais ampla e envolveu diferentes grupos sociais e étnicos, cujas experiências nem sempre aparecem com o mesmo destaque nas narrativas oficiais. (outrostempos.uema.br)

Parque Princesa do Vale e espaços de convivência

O Parque Princesa do Vale representa uma dimensão mais recente da relação entre lazer, paisagem e vida comunitária. O espaço é utilizado para caminhadas, passeios de bicicleta, atividades esportivas e momentos de convivência.

Embora não tenha a mesma antiguidade da área portuária ou dos prédios históricos do centro, o parque integra a experiência cultural da cidade ao oferecer um local de encontro e uso coletivo. Em municípios marcados por rios, áreas verdes e espaços públicos contribuem para aproximar moradores da paisagem e reforçar a percepção de pertencimento.

O Rio Taquari também permanece como elemento estruturador da identidade de Estrela. A antiga função econômica do manancial foi transformada ao longo do tempo, mas sua presença continua associada à memória do porto, às enchentes, às atividades de lazer e às discussões sobre preservação e reconstrução urbana.

Um roteiro de memória no Vale do Taquari

Os pontos históricos e culturais de Estrela formam um roteiro que pode ser percorrido a partir do centro e da margem do Rio Taquari. A Escadaria do antigo porto, a área da antiga Polar, o Zigue-Zague, o Memorial, a Casa de Cultura, os prédios históricos e os espaços de convivência mostram diferentes etapas da formação municipal.

Mais do que atrações isoladas, esses lugares funcionam como partes de uma mesma narrativa. A navegação explica o surgimento de atividades comerciais; a indústria ajuda a compreender a expansão urbana; a arquitetura registra transformações sociais; e as festas tradicionais revelam como a comunidade preserva e atualiza suas referências culturais.

Conhecer Estrela por esse caminho significa observar uma cidade construída entre o rio, o trabalho, a imigração e a vida comunitária. A preservação desses elementos depende tanto das políticas públicas quanto do envolvimento dos moradores, responsáveis por manter vivas as histórias, os costumes e os espaços que ajudam a definir a identidade do município.