segunda-feira, 28 de setembro de 2026
CIDADES

Mostardas reúne praias, lagoas, dunas e áreas preservadas no litoral do Rio Grande do Sul

Mostardas, no litoral sul do Rio Grande do Sul, combina praias oceânicas, lagoas costeiras, dunas, banhados e campos de restinga. A região também abriga parte do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, uma das principais áreas de preservação ambiental do estado e ponto de passagem para aves migratórias.

Mostardas, no litoral sul do Rio Grande do Sul, ocupa uma extensa faixa de terra entre o Oceano Atlântico e a Laguna dos Patos. A posição geográfica ajuda a explicar a diversidade de paisagens do município, que reúne praias oceânicas, lagoas costeiras, dunas, banhados, campos de restinga e áreas rurais.

Com baixa densidade demográfica e longos trechos de natureza pouco urbanizada, Mostardas apresenta uma paisagem diferente daquela encontrada nos balneários mais movimentados do litoral gaúcho. O cenário é marcado pela amplitude dos espaços, pela ação dos ventos, pela presença de aves e pela relação histórica das comunidades locais com a pesca, a agricultura e os ambientes lagunares.

O município tinha 12.090 habitantes no Censo 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e área territorial de aproximadamente 1.977 quilômetros quadrados. A dimensão do território, combinada com a ocupação esparsa, contribui para a permanência de extensas áreas naturais. (ibge.gov.br)

Uma faixa de terra entre o oceano e a Laguna dos Patos

A configuração de Mostardas está associada à planície costeira do Rio Grande do Sul. No lado leste, o município é banhado pelo Atlântico. A oeste, a paisagem se volta para a Laguna dos Patos, um dos maiores complexos lagunares do país. Entre os dois ambientes, há uma sequência de terrenos arenosos, áreas úmidas e lagoas que formam um mosaico ecológico.

O litoral oceânico de Mostardas tem aproximadamente 120 quilômetros, de acordo com a Secretaria de Turismo do Rio Grande do Sul. Entre os balneários e pontos citados pelo órgão estão as praias do Bacupari, da Solidão, de São Simão, do Pai João e o Balneário Mostardense. No lado da Laguna dos Patos, aparecem locais como Caieiras, Arroio do Barquinho, Pontal do Mina e Farol do Cristóvão Pereira. (turismo.rs.gov.br)

Essa extensão faz com que o litoral mostardense não tenha uma única paisagem. Há trechos de praia aberta, áreas de dunas móveis e fixas, campos próximos à costa, lagoas de água doce ou salobra e pontos voltados para a margem da Laguna dos Patos. A variação também influencia os usos do território, que incluem lazer, pesca artesanal, criação de animais e atividades agrícolas.

Praias com baixa urbanização

As praias de Mostardas são conhecidas principalmente pela extensão e pela presença de áreas naturais. Em vários trechos, a faixa de areia aparece acompanhada por dunas e vegetação de restinga, sem a ocupação contínua característica de centros urbanos de veraneio.

A Praia do Bacupari está entre os pontos mais conhecidos do município e combina o ambiente oceânico com lagoas e áreas arenosas no entorno. A Praia da Solidão, o Balneário Mostardense, a Praia de São Simão e a Praia do Pai João também integram o conjunto de locais procurados por moradores e visitantes em busca de contato com a natureza.

Nessas áreas, a paisagem pode mudar de acordo com a estação do ano, o regime de chuvas, os ventos e a dinâmica das marés. A formação e o deslocamento das dunas são processos naturais do litoral, enquanto a vegetação de restinga ajuda a fixar a areia e a proteger os ambientes próximos.

Por esse motivo, a visitação exige cuidados básicos, como evitar a circulação de veículos sobre dunas e áreas de vegetação, não retirar plantas ou animais e recolher os resíduos produzidos durante o passeio. Em regiões protegidas, também é necessário observar as orientações dos órgãos ambientais e as condições de acesso.

O Parque Nacional da Lagoa do Peixe

O principal patrimônio natural associado a Mostardas é o Parque Nacional da Lagoa do Peixe. Criada em 6 de novembro de 1986, a unidade de conservação possui 36.490,808 hectares e abrange áreas dos municípios de Mostardas, Tavares e São José do Norte. A sede e o centro de visitantes ficam na área urbana de Mostardas. (gov.br)

O parque foi criado para proteger espécies de aves migratórias e diferentes ecossistemas litorâneos do Rio Grande do Sul. Sua paisagem inclui mata de restinga, banhados, campos de dunas, lagoas de água doce e salobra, praias e área marinha. É um ambiente de transição em que água, areia, vegetação e fauna se conectam em uma planície costeira de baixa altitude. (gov.br)

Apesar do nome, a Lagoa do Peixe é tecnicamente uma laguna porque mantém comunicação com o mar. Segundo o ICMBio, o sistema tem cerca de 35 quilômetros de comprimento e aproximadamente 2 quilômetros de largura, com profundidade média de 60 centímetros. A água salobra e a presença de áreas de alimentação favorecem espécies aquáticas e aves que utilizam a região em diferentes períodos do ano. (gov.br)

A unidade também possui reconhecimentos internacionais relacionados à conservação. Em 1991, foi incluída na Rede Hemisférica de Reservas para Aves Limícolas como sítio internacional. Em 1993, recebeu o reconhecimento de Sítio Ramsar, destinado a áreas úmidas de importância internacional. Em 1999, foi considerada Posto Avançado da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica. (gov.br)

Um dos principais pontos para observação de aves no estado

A presença de aves migratórias é um dos aspectos mais importantes da paisagem de Mostardas. A Lagoa do Peixe funciona como área de alimentação, descanso e permanência para espécies que percorrem longas distâncias entre diferentes regiões do continente americano.

O ICMBio informa que já foram catalogadas 349 espécies de aves no parque, entre elas 74 migratórias e 13 classificadas em algum grau de ameaça. Entre os grupos observados estão flamingos, cisnes-de-pescoço-preto, capororocas, maçaricos, batuíras, trinta-réis, gaivotas e colhereiros. A ocorrência varia conforme a época do ano e as condições ambientais. (gov.br)

Estudos de monitoramento realizados nas praias do parque e do entorno registraram centenas de milhares de aves de espécies residentes e migratórias entre 2012 e 2021. A pesquisa apontou que a área é utilizada como ponto de parada, local de invernagem e espaço de permanência temporária para diferentes espécies limícolas. (revistaeletronica.icmbio.gov.br)

Essa dinâmica faz da região um destino relevante para a observação de aves e a fotografia de natureza. A atividade, porém, deve ser realizada sem aproximação excessiva dos animais, sem reprodução de sons para atraí-los e sem circulação em áreas de descanso ou alimentação. A conservação depende da redução de interferências justamente nos locais mais sensíveis.

Trilhas e ambientes do parque

As informações oficiais de visitação do Parque Nacional da Lagoa do Peixe apresentam quatro trilhas principais. A Trilha das Figueiras tem cerca de 6 quilômetros e conduz às margens da lagoa. A Trilha do Talha-mar possui aproximadamente 10 quilômetros e permite observar a parte norte do sistema lagunar.

A Trilha das Dunas percorre áreas de restinga, banhados e campos de dunas até a praia, em um trajeto de cerca de 13 quilômetros. Já a Trilha dos Flamingos acompanha um trecho costeiro entre o farol e a barra da Lagoa do Peixe, com aproximadamente 19 quilômetros. As condições de acesso podem variar, e o visitante deve confirmar previamente as orientações da unidade de conservação. (gov.br)

A barra da Lagoa do Peixe, onde ocorre a comunicação entre a laguna e o oceano, é apontada pelo ICMBio como uma área de concentração de aves migratórias. A abertura e o fechamento do canal fazem parte da dinâmica natural da região e influenciam a circulação de água, a salinidade e a disponibilidade de alimento.

A margem da Laguna dos Patos e os horizontes abertos

Embora as praias oceânicas sejam mais conhecidas, a margem da Laguna dos Patos também compõe uma parte expressiva das paisagens de Mostardas. O chamado “Mar de Dentro” apresenta águas mais abrigadas em comparação com o oceano e extensos horizontes, especialmente em áreas com pouca ocupação.

Os pontos próximos à laguna oferecem outro tipo de experiência visual. Em vez da linha contínua de ondas, predominam espelhos d’água, campos, vegetação baixa e estruturas associadas à pesca e à navegação. O pôr do sol costuma ganhar destaque nesse lado do município, quando a amplitude da superfície da água reforça a sensação de distância e isolamento.

A paisagem lagunar também está ligada à presença de comunidades que utilizam os recursos naturais de forma tradicional. A pesca artesanal faz parte da história econômica e cultural da região, embora o uso dos ambientes protegidos precise seguir regras específicas de conservação e manejo.

História e influência cultural

A formação histórica de Mostardas remonta ao período colonial. Registros reunidos pelo IBGE indicam que, em 1742, já existia na área um posto de vigilância chamado Guarda de Mostardas. A freguesia foi criada por alvará de 18 de janeiro de 1773, com a denominação de São Luiz Rei da França.

A origem do nome Mostardas não é totalmente esclarecida. O histórico municipal do IBGE registra hipóteses relacionadas à presença de uma planta nativa comestível, a um possível naufrágio de embarcação francesa e ao sobrenome de um comerciante que teria se estabelecido junto ao posto de vigilância. O próprio órgão ressalta que não foi localizado documento capaz de confirmar uma dessas versões. (ibge.gov.br)

A ocupação da região recebeu influência de famílias de origem açoriana, aspecto percebido na arquitetura, nas tradições religiosas e em costumes preservados ao longo do tempo. A paisagem cultural de Mostardas, portanto, não se limita aos ambientes naturais: ela também inclui a sede municipal, as áreas rurais, os caminhos históricos e as práticas associadas à vida costeira.

Turismo depende de planejamento e conservação

Mostardas reúne características favoráveis ao ecoturismo, à observação de aves, à fotografia de paisagem e a roteiros voltados à história regional. Ao mesmo tempo, a distância entre os atrativos, as condições variáveis das estradas e a existência de áreas protegidas exigem planejamento.

Antes de visitar praias, lagoas ou trilhas, é recomendável verificar as regras do Parque Nacional da Lagoa do Peixe, as condições de acesso e a necessidade de acompanhamento local. O ICMBio informa que não há cobrança de ingresso para a unidade, mas a ausência de tarifa não elimina as normas de visitação e proteção ambiental. (gov.br)

O desafio é conciliar a abertura da região ao turismo com a proteção de ecossistemas frágeis. A circulação desordenada de veículos na orla, o avanço sobre dunas, o descarte de resíduos, a presença de animais domésticos e a aproximação de áreas utilizadas por aves podem causar impactos. O planejamento da visita, o respeito às sinalizações e a permanência nos caminhos autorizados são medidas simples que ajudam a reduzir esses riscos.

Mais do que um destino de praia, Mostardas representa uma síntese das paisagens costeiras do extremo sul do Brasil. Entre o oceano e a Laguna dos Patos, o município preserva uma combinação de água, areia, vento, fauna e memória histórica que dá identidade própria ao litoral do Rio Grande do Sul.