A higiene das mãos é uma das medidas mais simples, acessíveis e eficazes para reduzir a transmissão de doenças. O cuidado é importante em qualquer época do ano e deve fazer parte da rotina em casas, escolas, locais de trabalho, estabelecimentos comerciais, transportes, abrigos e serviços de saúde do Rio Grande do Sul.
As mãos entram em contato frequente com superfícies, objetos e pessoas. Quando não são higienizadas, podem levar microrganismos aos olhos, ao nariz, à boca, aos alimentos e a outras pessoas. A prática correta ajuda a interromper esse caminho e contribui para a prevenção de infecções respiratórias, doenças diarreicas e outros agravos relacionados ao contato.
Orientações da Organização Mundial da Saúde e de órgãos brasileiros de saúde destacam a importância da higiene das mãos em ambientes comunitários e nos serviços de atendimento. Segundo a OMS, a medida está associada à redução de doenças diarreicas e de infecções respiratórias agudas.
Por que higienizar as mãos é importante
A pele pode carregar microrganismos adquiridos no contato com maçanetas, corrimãos, celulares, torneiras, brinquedos, dinheiro, mesas e outras superfícies. Também há risco de contaminação depois de tossir, espirrar, assoar o nariz, usar o banheiro ou trocar fraldas.
O problema ocorre principalmente quando a pessoa toca o rosto ou manipula alimentos sem higienizar as mãos. Vírus, bactérias e outros microrganismos podem alcançar as mucosas dos olhos, do nariz e da boca ou ser transferidos para utensílios e refeições.
A higiene das mãos remove sujeira, oleosidade, suor e parte dos microrganismos presentes na pele. Com isso, reduz a possibilidade de transmissão por contato direto, como um aperto de mão, ou indireto, por meio de objetos e superfícies contaminadas.
O hábito não substitui outras medidas de prevenção, como vacinação, ventilação de ambientes, cuidados com alimentos, etiqueta respiratória e busca por atendimento quando necessário. Ele deve ser adotado como parte de um conjunto de ações de proteção.
Quando lavar as mãos com água e sabonete
A lavagem com água e sabonete é indicada quando houver sujeira visível, contato com fluidos corporais ou uso do banheiro. Também deve ser priorizada antes de preparar alimentos e antes das refeições.
De modo geral, é recomendado lavar as mãos:
- antes de preparar, manipular ou consumir alimentos;
- antes de alimentar crianças ou ajudar outra pessoa a comer;
- depois de usar o banheiro;
- depois de trocar fraldas ou ajudar alguém que usou o banheiro;
- depois de tossir, espirrar ou assoar o nariz;
- depois de tocar em lixo ou limpar superfícies sujas;
- depois de ter contato com animais, ração ou dejetos;
- antes e depois de cuidar de uma pessoa doente;
- ao chegar em casa após circular por locais públicos;
- sempre que as mãos estiverem visivelmente sujas.
Em situações de enchentes, alagamentos, abrigos temporários ou interrupção do abastecimento de água, a atenção deve ser redobrada. Quando houver água segura e sabonete, a lavagem continua sendo a opção preferencial. Na falta desses recursos, a preparação alcoólica pode ser utilizada quando não houver sujeira aparente.
Como lavar as mãos corretamente
A qualidade da higiene depende tanto do produto usado quanto da técnica. Uma lavagem rápida, sem alcançar todas as partes das mãos, pode deixar áreas contaminadas.
O procedimento recomendado inclui as seguintes etapas:
- Molhe as mãos com água corrente.
- Aplique quantidade suficiente de sabonete para cobrir as duas mãos.
- Esfregue as palmas entre si.
- Esfregue a palma de uma mão sobre o dorso da outra, alcançando os espaços entre os dedos, e repita do outro lado.
- Entrelace os dedos e esfregue os espaços interdigitais.
- Esfregue o dorso dos dedos contra a palma da mão oposta.
- Limpe os polegares com movimentos de rotação.
- Esfregue as pontas dos dedos e as unhas na palma da mão contrária.
- Higienize os punhos.
- Enxágue bem e seque com papel toalha limpo ou outro material adequado.
É importante não esquecer as pontas dos dedos, os polegares, os espaços entre os dedos, os punhos e a região sob as unhas. Anéis, pulseiras e relógios também podem dificultar a limpeza completa, especialmente em atividades de cuidado em saúde.
Como usar álcool em gel ou preparação alcoólica
A preparação alcoólica é uma alternativa quando não há água e sabonete disponíveis e as mãos não estão visivelmente sujas. No ambiente doméstico e comunitário, a OMS recomenda produto à base de álcool com concentração igual ou superior a 60%. No Brasil, são comuns as formulações comercializadas como álcool em gel 70%.
Para usar o produto, aplique quantidade suficiente para cobrir toda a superfície das mãos e friccione as palmas, os dorsos, os espaços entre os dedos, os polegares, as pontas dos dedos, as unhas e os punhos. Continue esfregando até que as mãos estejam completamente secas.
O álcool não deve ser aplicado sobre mãos sujas ou engorduradas, porque a sujeira pode reduzir a eficácia da higienização. Nesses casos, a orientação é usar água e sabonete.
Também é necessário manter o produto longe do fogo, de fontes de calor e do alcance de crianças pequenas. A preparação alcoólica é inflamável e não deve ser ingerida nem aplicada nos olhos, na boca ou em ferimentos sem orientação profissional.
Higiene das mãos e doenças respiratórias
Doenças respiratórias podem se espalhar por gotículas, partículas suspensas no ar e contato com mãos ou superfícies contaminadas, dependendo do agente infeccioso. Por isso, higienizar as mãos depois de tossir, espirrar ou assoar o nariz ajuda a diminuir a transferência de microrganismos.
Outra medida importante é evitar tocar os olhos, o nariz e a boca com as mãos não higienizadas. Ao tossir ou espirrar, deve-se cobrir a boca e o nariz com um lenço descartável ou com a parte interna do cotovelo, e não com as mãos.
Em locais fechados e com grande circulação de pessoas, a higiene das mãos deve ser associada à ventilação dos ambientes, ao afastamento quando houver sintomas e à procura de orientação de saúde nos casos indicados.
Higiene das mãos e doenças diarreicas
As mãos também participam da transmissão de doenças gastrointestinais. Microrganismos presentes nas fezes podem chegar a superfícies, alimentos e água quando a higiene depois do uso do banheiro ou da troca de fraldas é inadequada.
Lavar as mãos depois de usar o banheiro e antes de preparar ou consumir alimentos é uma das principais formas de reduzir esse risco. O cuidado deve ser reforçado no atendimento a crianças, idosos e pessoas com deficiência ou dependência para atividades básicas.
O preparo seguro dos alimentos também exige limpeza adequada de utensílios, separação entre alimentos crus e prontos para consumo e uso de água potável. A higiene das mãos é uma etapa essencial, mas não substitui esses cuidados.
Cuidados em escolas, empresas e espaços coletivos
Escolas, creches, locais de trabalho, unidades de atendimento e abrigos devem facilitar o acesso à higiene das mãos. Pias em condições de uso, água, sabonete e papel para secagem ajudam a transformar a recomendação em prática cotidiana.
Quando a instalação de pias não for possível, a preparação alcoólica deve estar disponível em pontos estratégicos, sem substituir a necessidade de água e sabonete em situações de sujeira visível. Cartazes com instruções simples podem ajudar crianças e adultos a lembrar os momentos mais importantes.
Em ambientes coletivos, a limpeza de superfícies de uso frequente também é necessária. Maçanetas, interruptores, corrimãos e equipamentos compartilhados podem ser pontos de contato repetido. A higienização das mãos deve ocorrer depois do contato e antes de tocar o rosto ou consumir alimentos.
O uso de luvas substitui a lavagem das mãos?
Não. As luvas podem reduzir o contato direto com materiais contaminados, mas não substituem a higiene das mãos. Elas podem apresentar pequenos defeitos, ser colocadas ou retiradas de forma inadequada e transferir microrganismos para outras superfícies.
Em serviços de saúde, a orientação é higienizar as mãos antes de colocar as luvas e depois de retirá-las. O mesmo princípio vale para atividades domésticas que envolvam limpeza, cuidado de pessoas doentes ou contato com fluidos corporais.
Higiene das mãos nos serviços de saúde
Em hospitais, unidades básicas, clínicas, laboratórios e outros serviços de saúde, a higiene das mãos protege pacientes, acompanhantes e trabalhadores. As mãos podem transportar microrganismos de uma pessoa para outra ou de uma superfície para o paciente.
A Anvisa considera a prática um dos pilares da prevenção e do controle de infecções relacionadas à assistência à saúde. Nesses locais, a higiene deve ocorrer antes e depois do contato com o paciente, antes de procedimentos limpos ou assépticos, depois do risco de exposição a fluidos corporais e depois do contato com o paciente ou com áreas próximas a ele.
Pacientes e acompanhantes também podem colaborar seguindo as orientações da equipe, higienizando as mãos na entrada e na saída dos ambientes e perguntando sobre os cuidados necessários. A preparação alcoólica deve estar disponível em pontos de atendimento, mas a água e o sabonete continuam essenciais quando houver sujeira visível.
Cuidados com a pele
A lavagem frequente pode causar ressecamento, especialmente em períodos frios ou de baixa umidade. Para reduzir o desconforto, é importante usar sabonete suave, evitar água muito quente, secar as mãos sem esfregar com força e aplicar hidratante compatível com a rotina.
Feridas, rachaduras, irritações persistentes ou sinais de infecção na pele devem ser avaliados por um profissional de saúde. Pessoas com alergia ou sensibilidade a determinados produtos podem precisar de orientação para escolher uma alternativa adequada.
Uma rotina simples que protege a comunidade
A higiene das mãos depende de um hábito repetido nos momentos certos. Em casa, na escola, no trabalho ou em um serviço de saúde, lavar as mãos com água e sabonete e usar preparação alcoólica quando apropriado são atitudes de baixo custo que ajudam a proteger a própria saúde e a de outras pessoas.
No Rio Grande do Sul, a recomendação é especialmente relevante em locais com grande circulação, durante períodos de aumento de doenças respiratórias e em situações de emergência que dificultem o acesso à água potável. A orientação deve ser combinada com informações das autoridades de saúde, vacinação quando indicada e atendimento profissional diante de sintomas persistentes ou graves.
Mais informações podem ser consultadas no protocolo do Ministério da Saúde, nas orientações da Biblioteca Virtual em Saúde e nos canais oficiais da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul.