segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a saúde em trilhas no Rio Grande do Sul: guia para caminhar com segurança

Saiba como cuidar da saúde antes, durante e depois de fazer trilhas no Rio Grande do Sul, com orientações sobre preparo físico, hidratação, roupas, alimentação, clima, primeiros cuidados e busca por atendimento.

Fazer trilhas é uma forma de praticar atividade física, ter contato com a natureza e conhecer diferentes paisagens do Rio Grande do Sul. Para que o passeio seja seguro, no entanto, é importante avaliar o percurso, preparar o corpo, levar água e observar as condições do tempo e do terreno.

Os cuidados com a saúde em trilhas começam antes da saída. Distância, duração, nível de esforço, inclinação, tipo de solo, disponibilidade de água potável, cobertura de celular e possibilidade de acesso para resgate são informações que ajudam a escolher uma atividade compatível com a experiência e a condição física de cada pessoa.

As recomendações abaixo são gerais e não substituem a avaliação de um profissional de saúde. Pessoas com doenças crônicas, histórico de desmaios, problemas cardíacos ou respiratórios, gestantes, idosos e crianças podem precisar de orientações específicas antes de participar de percursos mais longos ou exigentes.

Planeje o percurso antes de sair

Evite escolher uma trilha apenas pela aparência das imagens ou pela distância anunciada. Um caminho curto pode exigir esforço elevado quando há subidas, pedras, lama, travessias de água ou trechos expostos ao sol. Consulte informações atualizadas com a administração da unidade de conservação, o responsável pelo local ou um condutor habilitado quando o percurso for pouco conhecido, isolado ou tecnicamente difícil.

Informe a familiares ou amigos qual trilha será realizada, o horário previsto de saída e o momento estimado de retorno. Sempre que possível, faça o trajeto acompanhado. A presença de outra pessoa pode facilitar a comunicação, os primeiros cuidados e o acionamento de ajuda em caso de queda, mal-estar ou acidente.

Confira a previsão do tempo e observe alertas para chuva intensa, temporais, ventos fortes, descargas elétricas, calor excessivo, frio intenso ou baixa qualidade do ar. Se as condições forem desfavoráveis, adie a atividade. A mudança do clima pode deixar pedras e raízes escorregadias, elevar o risco de quedas e dificultar o retorno.

Escolha roupas e calçados adequados

Use calçados fechados, firmes e já amaciados. Tênis apropriados para caminhada ou botas de trilha podem oferecer mais estabilidade do que calçados lisos, abertos ou inadequados para terreno irregular. O Ministério da Saúde recomenda roupas confortáveis e calçados fechados para ajudar na proteção contra torções, picadas de insetos e acidentes com animais peçonhentos.

Prefira roupas leves, que permitam movimentação e protejam braços e pernas quando o trajeto passar por mata ou vegetação fechada. Em áreas com possibilidade de contato com carrapatos, mosquitos ou outros insetos, a proteção deve ser reforçada conforme as características do local. Repelentes podem ser usados quando houver necessidade, sempre de acordo com as instruções do rótulo.

Chapéu ou boné, óculos escuros e protetor solar também são importantes. A exposição ocorre mesmo em dias frios ou nublados, e o protetor deve ser reaplicado conforme a orientação do fabricante, especialmente depois de suor intenso ou contato com água.

Hidrate-se e leve alimentação suficiente

A hidratação deve ser planejada de acordo com a duração da trilha, o calor, o esforço físico e a possibilidade de reposição no caminho. Não presuma que toda água encontrada na natureza é própria para consumo. Leve água suficiente e, quando houver dúvida sobre a qualidade da fonte, não beba sem tratamento adequado.

Durante o exercício, beba regularmente, sem esperar a sede se tornar intensa. O Ministério da Saúde orienta a ingestão de líquidos antes, durante e depois de atividades realizadas no calor. Crianças, idosos e pessoas com doenças crônicas exigem atenção especial, pois podem apresentar maior risco de desidratação ou dificuldade de perceber os sinais do corpo.

Em caminhadas longas, leve alimentos práticos e de boa conservação, como frutas, sanduíches simples ou barras de cereal. Faça pausas para comer e descansar, mas evite consumir alimentos que possam estragar com facilidade quando não houver refrigeração. Bebidas alcoólicas não são apropriadas antes ou durante a trilha, pois podem favorecer a desidratação e prejudicar a avaliação dos riscos.

Proteja-se do calor, do frio e do sol

O esforço físico em dias quentes aumenta o risco de desidratação, exaustão pelo calor e insolação. Sempre que possível, escolha horários mais frescos e evite os períodos de maior radiação solar. O Ministério da Saúde recomenda reduzir a exposição direta ao sol entre o fim da manhã e o meio da tarde, além de buscar sombra, usar roupas leves e manter a ingestão de líquidos.

Sinais como dor de cabeça, tontura, fraqueza, náusea, confusão, cansaço incomum e pele muito quente indicam que a pessoa deve interromper o esforço e procurar um local fresco e ventilado. Deixe a pessoa em repouso, ofereça líquidos se ela estiver consciente e capaz de engolir e procure atendimento se os sintomas forem intensos, persistentes ou acompanhados de alteração de consciência.

O frio também merece atenção, sobretudo em áreas expostas, em travessias mais demoradas ou quando há chuva e vento. Leve uma camada extra de roupa e proteja itens essenciais da umidade. Tremores intensos, fala alterada, sonolência e confusão podem indicar agravamento da exposição ao frio e exigem retirada da pessoa da situação de risco e avaliação médica.

Caminhe no seu ritmo e previna quedas

Comece devagar e ajuste o ritmo à condição do grupo. A atividade física deve respeitar os limites individuais. Dor forte, falta de ar fora do esperado, palpitações, tontura, visão turva, fraqueza súbita ou mal-estar são sinais para interromper a caminhada.

Em descidas, reduza a velocidade e mantenha atenção especial a pedras soltas, raízes, degraus naturais, lama e trechos úmidos. Não corra em terreno irregular e evite caminhar olhando apenas para o celular. Use bastões de caminhada se tiver prática com o equipamento, mas não dependa deles para atravessar trechos que exigem apoio seguro ou orientação especializada.

Não se arrisque em bordas de penhascos, áreas sem proteção, pedras molhadas ou travessias de rios com correnteza. A chuva pode alterar a profundidade e a força da água, além de deslocar pedras e galhos. Nunca salte em poços ou locais cuja profundidade e obstáculos submersos não sejam conhecidos.

Como evitar acidentes com animais peçonhentos

Serpentes, aranhas, escorpiões, abelhas, vespas e lagartas podem ser encontrados em ambientes naturais. Durante a trilha, observe o caminho e tenha cuidado ao apoiar as mãos em pedras, troncos, fendas ou vegetação. Não coloque as mãos em buracos, sob folhas, em pilhas de madeira ou em locais que não possam ser visualizados.

O uso de calçados fechados, botas de cano alto ou perneiras pode reduzir o contato direto com animais em determinadas áreas. Ao parar para descansar, verifique o local antes de sentar ou apoiar mochilas e roupas. Nunca tente tocar, capturar ou matar um animal, mesmo que ele pareça morto.

Em caso de picada ou mordida, mantenha a pessoa em repouso e procure atendimento médico o mais rápido possível. Se for seguro, registre uma fotografia do animal a distância, sem tentar capturá-lo. Não faça cortes, sucção, torniquetes ou aplicação de substâncias no local. Também não ofereça bebidas alcoólicas nem medicamentos por conta própria.

O Ministério da Saúde informa que o Sistema Único de Saúde disponibiliza antivenenos para o tratamento adequado dos acidentes por animais peçonhentos. Em uma emergência, acione o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência pelo número 192 ou o Corpo de Bombeiros pelo 193. A página oficial sobre acidentes por animais peçonhentos do Ministério da Saúde reúne orientações e informações sobre hospitais de referência.

Monte um kit básico para a trilha

O conteúdo da mochila deve ser compatível com o trajeto. Para caminhadas curtas, leve água, alimento, protetor solar, repelente, boné, agasalho leve, telefone carregado e documento de identificação. Em percursos mais longos, considere lanterna, capa de chuva, apito, mapa ou rota salva off-line, saco para resíduos e um kit de primeiros cuidados.

Medicamentos de uso contínuo devem ser levados na quantidade necessária e mantidos em embalagem identificada. Não compartilhe medicamentos com outras pessoas e evite incluir produtos cuja indicação você desconhece. Pessoas alérgicas devem informar o grupo sobre a condição e levar os itens prescritos pelo profissional responsável.

O celular pode ajudar na navegação e na comunicação, mas não deve ser o único recurso de segurança. Em áreas sem sinal, uma chamada de emergência pode não ser possível. Por isso, o planejamento do trajeto, o aviso a alguém de confiança e a escolha de uma rota compatível com o grupo continuam sendo medidas essenciais.

O que fazer diante de um acidente

Em uma ocorrência, mantenha a calma, afaste o grupo de novos riscos e avalie a situação. Não movimente uma pessoa com suspeita de fratura ou lesão na coluna, exceto se houver perigo imediato no local. Controle sangramentos externos com compressão direta usando material limpo, sem retirar objetos cravados.

Se alguém desmaiar, não ofereça água ou comida enquanto a pessoa estiver inconsciente. Verifique se respira e peça ajuda. Em situações graves, como falta de ar, dor no peito, confusão, sangramento intenso, reação alérgica, suspeita de envenenamento ou perda de consciência, acione o 192 ou o 193 e informe a localização com o máximo de precisão possível.

O grupo deve permanecer junto, salvo orientação diferente das equipes de emergência. Economize bateria, compartilhe a localização quando houver sinal e siga as instruções do atendimento. Tentar improvisar um resgate sem preparo pode agravar lesões e colocar outras pessoas em risco.

Cuidados depois da caminhada

Ao terminar a trilha, reidrate-se, faça uma refeição leve e observe o corpo nas horas seguintes. Dor muscular leve pode ocorrer após esforço diferente do habitual, mas dor intensa, inchaço importante, febre, falta de ar, vômitos persistentes, tontura ou piora progressiva exigem avaliação em um serviço de saúde.

Examine a pele e as roupas para verificar a presença de carrapatos ou outros animais. Retire as roupas usadas para lavar e confira calçados, mochilas e toalhas antes de guardá-los. Em caso de picada, lesão ou sintomas que apareçam após o retorno, informe ao profissional de saúde que houve permanência em área de mata e, se possível, indique o local e o horário aproximado da exposição.

Com planejamento, equipamentos adequados e respeito aos próprios limites, as trilhas podem ser uma atividade prazerosa e segura. No Rio Grande do Sul, como em qualquer região, a melhor estratégia é combinar preparo físico, atenção às condições ambientais e disposição para desistir quando o risco superar os benefícios do passeio.