segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com a pele durante o inverno gaúcho: como evitar ressecamento e irritações

Durante o inverno no Rio Grande do Sul, a pele pode ficar mais seca, sensível e sujeita a coceira, descamação e rachaduras. Saiba como escolher hidratantes, tomar banho sem agredir a pele, proteger os lábios e identificar quando procurar atendimento dermatológico.

Os cuidados com a pele no inverno gaúcho precisam ser reforçados por causa da combinação de temperaturas baixas, vento, menor umidade do ar e mudanças na rotina de banho. No Rio Grande do Sul, esses fatores podem deixar o rosto, o corpo, as mãos, os pés e os lábios mais secos e sensíveis.

Além do clima, o hábito de tomar banhos mais quentes e demorados pode retirar parte da oleosidade natural que ajuda a proteger a pele. O resultado costuma aparecer como repuxamento, aspereza, descamação, vermelhidão e coceira. Em pessoas com dermatite atópica, psoríase ou outras condições dermatológicas, o frio pode piorar os sintomas.

A boa notícia é que ajustes simples na rotina ajudam a preservar a barreira cutânea. A principal orientação é combinar banho morno e rápido, limpeza suave, hidratação frequente, proteção contra o vento e uso diário de filtro solar.

Por que a pele resseca mais no inverno

A pele funciona como uma barreira que ajuda a limitar a perda de água e protege o organismo contra agressões externas. No frio e no ar seco, essa barreira pode ficar mais vulnerável. O vento também aumenta a sensação de ressecamento, enquanto a água muito quente dissolve parte da camada de gordura natural da pele.

O problema não está apenas na aparência. Quando a pele perde hidratação, podem surgir pequenas fissuras, ardência e coceira. O ato de coçar pode provocar ferimentos e aumentar a irritação. Em casos mais intensos, o ressecamento favorece inflamações e agrava doenças que já estavam controladas.

A Sociedade Brasileira de Dermatologia recomenda atenção especial aos banhos, ao uso de hidratante e à proteção dos lábios durante a estação fria. Órgãos públicos de saúde também orientam evitar água muito quente e aplicar o hidratante logo depois do banho.

1. Prefira banhos mornos e mais curtos

O banho deve ser morno, sem excesso de vapor e sem prolongar o tempo de exposição à água. Quanto mais quente e demorado for o banho, maior a possibilidade de remover a oleosidade natural da pele e aumentar o ressecamento.

Também é importante evitar o uso de buchas, esponjas e escovas no corpo. Esses acessórios podem causar atrito e retirar parte da proteção superficial da pele. A limpeza deve ser feita com as mãos, usando sabonete suave e apenas nas áreas que realmente precisam de higienização mais intensa.

Não é necessário ensaboar o corpo inteiro várias vezes ao dia. Nas mãos, axilas, pés e região íntima, a higiene deve seguir as orientações gerais de saúde, mas sem exagero nem fricção agressiva. Pessoas com pele sensível podem conversar com um dermatologista sobre o produto mais adequado.

2. Hidrate a pele logo após o banho

O melhor momento para aplicar o hidratante é logo depois do banho, com a pele ainda levemente úmida. Enxugue o corpo sem esfregar, dando pequenas batidas com a toalha, e espalhe o produto em seguida. Essa rotina ajuda a reter a umidade que permanece na superfície da pele.

Em geral, cremes e pomadas hidratantes formam uma proteção mais intensa do que loções muito fluidas. Para áreas bastante ressecadas, como pernas, braços, mãos, cotovelos e calcanhares, produtos com componentes umectantes e emolientes podem ser úteis. Entre os ingredientes comuns estão glicerina, petrolato, manteigas e óleos minerais, mas a escolha deve considerar o tipo de pele e a presença de alergias.

Não é preciso escolher necessariamente o produto mais caro. O mais importante é que o hidratante seja bem tolerado, aplicado com frequência e adequado à área do corpo. Produtos sem fragrância podem ser uma opção mais segura para pessoas com pele sensível ou histórico de irritação.

3. Adapte a hidratação ao tipo de pele

A pele oleosa também precisa de hidratação no inverno. A diferença é que o rosto pode se adaptar melhor a produtos leves, em gel, sérum ou com indicação oil free, especialmente nas regiões que produzem mais oleosidade. Usar hidratante corporal pesado no rosto pode aumentar o desconforto ou favorecer o surgimento de cravos e espinhas em algumas pessoas.

Já a pele seca costuma precisar de fórmulas mais cremosas, principalmente nas áreas que descamam ou ficam ásperas. Se o produto causar ardência persistente, vermelhidão ou piora das lesões, suspenda o uso e procure orientação profissional.

Durante períodos de irritação, é prudente reduzir ou pausar, com orientação dermatológica, o uso de produtos potencialmente sensibilizantes, como esfoliantes abrasivos e alguns cosméticos com ácidos. A rotina de inverno deve priorizar limpeza suave, hidratação e proteção.

4. Não abandone o protetor solar

O protetor solar continua necessário no inverno, mesmo em dias nublados ou frios. A radiação ultravioleta atravessa as nuvens e pode atingir áreas expostas, como rosto, orelhas, pescoço e mãos. A neve não é uma preocupação comum no cotidiano da maior parte do Rio Grande do Sul, mas atividades ao ar livre, altitude e exposição prolongada também exigem cuidado.

Use um produto de amplo espectro, com fator de proteção solar de pelo menos 30, conforme as recomendações dermatológicas. Aplique pela manhã nas áreas expostas e reaplique quando houver exposição prolongada, transpiração intensa ou contato com água, seguindo as instruções do rótulo.

O protetor solar não substitui o hidratante em todos os casos. Pessoas com pele seca podem preferir fórmulas mais hidratantes ou aplicar o hidratante antes do filtro, respeitando o tempo necessário para o produto assentar na pele.

5. Proteja mãos, lábios e pés

As mãos ficam particularmente vulneráveis no frio porque são lavadas várias vezes ao dia e permanecem expostas ao vento e à água. Após a lavagem, seque bem e aplique hidratante. Para tarefas domésticas que envolvam água, detergentes ou produtos de limpeza, use luvas adequadas e evite permanecer com as mãos úmidas por longos períodos.

Os lábios podem apresentar descamação, ardência e rachaduras. Use um balm ou outro produto específico várias vezes ao dia, especialmente antes de sair de casa e antes de dormir. Evite umedecer os lábios com a língua, pois a saliva pode aumentar o ressecamento. Se houver feridas recorrentes, sangramento ou lesões que não melhoram, procure avaliação.

Nos pés, o frio e o uso prolongado de calçados fechados podem favorecer ressecamento, fissuras e desconforto. Aplique hidratante nos calcanhares, mas evite passar produto entre os dedos quando houver umidade excessiva, pois essa região precisa permanecer seca para reduzir o risco de problemas associados à maceração.

6. Cuide das roupas e do ambiente

Roupas de lã ou tecidos ásperos podem irritar a pele de algumas pessoas, principalmente quando entram em contato direto com o corpo. Uma camada de tecido macio entre a pele e a roupa mais pesada pode reduzir o atrito. Prefira peças confortáveis e troque roupas úmidas assim que possível.

O uso de aquecedores pode tornar o ambiente interno ainda mais seco. Ventile os cômodos sempre que possível e mantenha os aparelhos limpos, conforme as orientações do fabricante. Umidificadores exigem higienização rigorosa, porque equipamentos mal conservados podem acumular microrganismos e mofo. Não use medicamentos, óleos essenciais ou substâncias na água do aparelho sem orientação específica.

Beber água ao longo do dia contribui para a hidratação geral do organismo, embora a ingestão de líquidos não substitua o uso de hidratante. A alimentação variada, com frutas, verduras e outros alimentos in natura, também faz parte dos cuidados gerais de saúde.

Quem precisa de atenção redobrada

Crianças pequenas, idosos e pessoas com dermatite atópica, psoríase, ictiose ou pele muito sensível podem sofrer mais com o ressecamento. Nesses grupos, a rotina de hidratação deve ser regular e os produtos precisam ser escolhidos com cuidado.

Quem usa medicamentos tópicos ou tratamentos dermatológicos não deve alterar a frequência ou interromper a aplicação por conta própria. Alguns produtos podem ressecar ou sensibilizar a pele, mas a adaptação do tratamento deve ser feita com o profissional que acompanha o caso.

Quando procurar um dermatologista

O ressecamento leve costuma melhorar com mudanças na rotina. Entretanto, é importante buscar avaliação se houver coceira intensa, vermelhidão persistente, dor, descamação extensa, feridas, sangramento, secreção, crostas ou sinais de infecção.

Também merece atenção a pele que não melhora mesmo após hidratação regular e redução dos banhos quentes. Esses sinais podem estar relacionados a dermatites, alergias ou outras doenças que exigem diagnóstico e tratamento específicos.

Não aplique pomadas com corticoide, antibiótico ou antifúngico sem indicação profissional. O uso inadequado pode mascarar sintomas, provocar efeitos adversos ou dificultar o diagnóstico.

Rotina simples para o inverno gaúcho

Uma rotina prática pode começar pela manhã, com limpeza suave do rosto, hidratante adequado e protetor solar. Durante o dia, reaplique o hidratante nas mãos e nos lábios sempre que sentir ressecamento. À noite, tome banho morno e rápido, seque a pele sem esfregar e aplique o hidratante enquanto ela ainda estiver levemente úmida.

Evite esfoliações frequentes, buchas, água muito quente e produtos que ardem. Observe como a pele reage às mudanças de temperatura, ao vento e ao uso de aquecedores. Se os sintomas forem persistentes ou intensos, procure uma unidade de saúde ou um dermatologista.

Com esses cuidados, é possível atravessar o inverno no Rio Grande do Sul preservando a barreira natural da pele e reduzindo o risco de ressecamento, rachaduras e irritações.

As orientações são gerais e não substituem avaliação médica individual.