segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Cuidados com alergias durante as mudanças de estação no Rio Grande do Sul

As mudanças de estação no Rio Grande do Sul podem favorecer crises alérgicas por causa da variação de temperatura, da baixa umidade, da poeira e da maior circulação de pólen. Saiba como proteger as vias respiratórias, preparar a casa e reconhecer sinais de alerta.

As mudanças de estação exigem atenção de quem tem rinite, conjuntivite alérgica, asma ou sensibilidade a poeira, mofo e pólen. No Rio Grande do Sul, a variação entre dias frios e quentes, a passagem de frentes frias, os períodos de baixa umidade e a presença de ventos podem favorecer irritações nas vias respiratórias.

Essas condições não provocam alergia em todas as pessoas, mas podem intensificar sintomas em quem já tem predisposição. Espirros repetidos, coriza, nariz entupido, coceira no nariz e nos olhos, lacrimejamento, tosse e chiado são manifestações que podem aparecer ou piorar nessa época.

Segundo informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, a rinite alérgica pode ser desencadeada por ácaros, mofo, pelos de animais, pólen, perfumes, fumaça, poluentes e mudanças bruscas de temperatura. O controle dos fatores ambientais é uma das principais medidas para reduzir as crises.

Por que a mudança de estação pode piorar as alergias

A transição entre verão, outono, inverno e primavera altera a temperatura, a umidade do ar e a circulação de partículas no ambiente. Em dias frios, muitas pessoas mantêm portas e janelas fechadas por mais tempo, o que reduz a ventilação e pode concentrar poeira, mofo, odores e outros irritantes dentro de casa.

O uso de cobertores, casacos, tapetes e roupas guardadas por vários meses também pode levantar partículas acumuladas. Quando esses itens são retirados dos armários sem lavagem ou exposição ao sol, pessoas sensíveis podem apresentar sintomas pouco depois do contato.

Na primavera, o pólen pode ser um gatilho importante para parte da população. O problema tende a ser mais perceptível em dias secos, ensolarados e com vento, quando essas partículas se espalham com maior facilidade. O conteúdo da Sociedade Brasileira de Pediatria relaciona a alergia ao pólen a sintomas nasais e oculares, como espirros, coriza, coceira e olhos vermelhos.

Já o ar frio e seco pode irritar as mucosas do nariz e da garganta. Essa irritação não é necessariamente uma alergia, mas pode desencadear sintomas em pessoas com rinite ou asma. Por isso, é importante diferenciar a alergia de infecções respiratórias, como gripe e resfriado, que também são comuns em determinadas épocas do ano.

Identifique os principais sintomas

A rinite alérgica costuma provocar espirros em sequência, coriza clara, coceira nasal e obstrução do nariz. Também pode haver coceira nos olhos, no céu da boca ou na garganta. Em alguns casos, a secreção escorre para a parte posterior do nariz e provoca pigarro ou tosse.

A conjuntivite alérgica geralmente causa olhos vermelhos, coceira, lacrimejamento e sensação de irritação. Diferentemente de algumas conjuntivites infecciosas, a forma alérgica costuma estar associada a coceira intensa e pode afetar os dois olhos.

Quem tem asma pode apresentar tosse, chiado, cansaço e sensação de aperto no peito. Esses sinais precisam ser acompanhados, especialmente quando surgem durante a noite, após exposição a poeira, mofo, fumaça ou durante mudanças bruscas de temperatura.

Febre, dores no corpo, mal-estar intenso e secreção nasal espessa podem indicar uma infecção ou outra condição que exige avaliação. Os sintomas, isoladamente, não permitem confirmar a causa. O diagnóstico deve ser feito por profissional de saúde.

Como preparar a casa para reduzir as crises

O quarto merece atenção especial porque a pessoa passa várias horas nesse ambiente. O ideal é manter o espaço ventilado sempre que as condições externas permitirem, evitar acúmulo de objetos e limpar regularmente superfícies que juntam poeira.

  • Use pano úmido para remover o pó de móveis, pisos e superfícies.
  • Evite vassouras e espanadores, que podem espalhar partículas no ar.
  • Prefira aspiradores com filtros capazes de reter partículas pequenas.
  • Lave as roupas de cama semanalmente e seque-as completamente.
  • Lave ou higienize cobertores, mantas e casacos guardados antes de utilizá-los.
  • Reduza tapetes, carpetes, cortinas pesadas, almofadas e bichos de pelúcia no quarto.
  • Observe sinais de infiltração e elimine focos de mofo com segurança.
  • Não permita que animais de estimação durmam na cama ou permaneçam no quarto da pessoa alérgica.

Capas próprias para colchões e travesseiros podem ajudar a reduzir o contato com ácaros, desde que sejam mantidas limpas conforme as orientações do fabricante. A limpeza deve ser feita sem levantar poeira, e a pessoa que apresenta sintomas pode usar máscara durante a faxina ou deixar essa tarefa para outra pessoa.

Produtos com cheiro forte, inseticidas, tintas, perfumes e desodorizadores de ambiente também podem irritar as vias respiratórias. Mesmo quando não causam uma reação alérgica clássica, esses produtos podem piorar a obstrução nasal, a tosse ou o chiado.

Cuidados em dias frios, secos ou com vento

Em dias de baixa umidade, beba água ao longo do dia e evite permanecer por muito tempo em ambientes com fumaça, poeira ou ar-condicionado sem manutenção. A hidratação não trata a alergia, mas ajuda a evitar o ressecamento das mucosas.

A lavagem nasal com solução fisiológica pode ser recomendada para auxiliar na remoção de secreções e partículas, mas o produto e a forma de uso devem ser orientados de acordo com a idade e a condição de saúde. Não use água não esterilizada ou preparações caseiras sem orientação adequada.

Quando houver muito vento e suspeita de alergia ao pólen, mantenha as janelas fechadas nos horários de maior dispersão, se possível. Ao voltar da rua, lavar o rosto, as mãos e os cabelos pode reduzir a quantidade de partículas trazidas para dentro de casa. Roupas usadas em atividades externas devem ser trocadas, especialmente antes de dormir.

O ar-condicionado de casas e veículos precisa ter os filtros limpos ou substituídos de acordo com as instruções do equipamento. Filtros sujos acumulam poeira e podem distribuir partículas pelo ambiente.

Evite fumaça e não interrompa o tratamento por conta própria

A fumaça do cigarro é um irritante importante e deve ser evitada por pessoas com rinite, asma ou outras doenças respiratórias. Não fumar dentro de casa ou do carro não elimina completamente a exposição, porque partículas permanecem em roupas, tecidos e superfícies. O ideal é manter os ambientes livres de fumaça.

Pessoas que já têm diagnóstico e tratamento prescrito devem seguir as orientações do médico, inclusive em períodos sem sintomas. Alguns medicamentos são usados para controlar a inflamação e prevenir crises, enquanto outros são indicados para aliviar manifestações específicas. A interrupção, a troca ou o aumento da dose sem avaliação pode ser perigoso.

Descongestionantes nasais, antialérgicos, corticoides e colírios não devem ser usados por iniciativa própria. O uso inadequado pode causar efeitos adversos, mascarar sintomas ou provocar problemas pelo uso prolongado. O Ministério da Saúde reforça que medicamentos devem ser indicados por profissional habilitado.

Crianças, idosos e pessoas com asma precisam de atenção

Crianças podem ter dificuldade para explicar o que sentem. Respiração pela boca, sono agitado, ronco, tosse noturna, baixo rendimento escolar e irritabilidade podem estar relacionados à obstrução nasal persistente e merecem avaliação.

Idosos, pessoas com doenças pulmonares e pacientes com asma devem observar alterações na respiração durante as mudanças de temperatura. A exposição a frio, fumaça, poluição e mofo pode agravar sintomas já existentes.

Famílias devem manter os medicamentos prescritos e os planos de controle da asma em local conhecido. Em caso de dúvida sobre o uso de inaladores, espaçadores ou outros dispositivos, procure uma unidade de saúde ou o profissional que acompanha o paciente.

Quando procurar atendimento

Marque uma consulta quando os sintomas forem frequentes, persistirem por vários dias, atrapalharem o sono ou o trabalho, exigirem uso repetido de medicamentos ou não melhorarem com as medidas habituais. A avaliação pode identificar a causa, orientar o controle ambiental e indicar o tratamento adequado.

Procure atendimento com urgência diante de falta de ar importante, dificuldade para falar, lábios arroxeados, dor ou aperto intenso no peito, confusão, desmaio ou piora rápida da respiração.

Também é necessário buscar ajuda imediata se houver sinais de anafilaxia, como inchaço súbito de boca, língua ou garganta, dificuldade para respirar, queda de pressão, tontura intensa ou perda de consciência. Essa reação pode evoluir rapidamente e requer atendimento de emergência.

Prevenção deve continuar durante todo o ano

Os cuidados com alergias durante as mudanças de estação funcionam melhor quando fazem parte da rotina, e não apenas quando os sintomas aparecem. Limpar a casa sem espalhar poeira, lavar roupas guardadas, controlar a umidade, evitar fumaça e observar os gatilhos pessoais são medidas simples que ajudam a reduzir a exposição.

Também é útil anotar quando os sintomas surgem, em qual ambiente, após qual atividade e em que condições de temperatura ou umidade. Esse registro pode ajudar o profissional de saúde a investigar a relação com poeira, mofo, animais, pólen ou outros fatores.

No Rio Grande do Sul, onde as oscilações de temperatura podem ocorrer ao longo do mesmo dia e as estações apresentam características bem marcadas, a preparação antecipada é uma aliada. Antes da chegada do frio ou da primavera, revise roupas de cama, armários, filtros e áreas com infiltração. Com acompanhamento adequado e controle dos gatilhos, é possível atravessar as mudanças de estação com menos desconforto e mais segurança.

Importante: este conteúdo é educativo e não substitui consulta, diagnóstico ou prescrição médica.