segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Esportes

Futebol feminino cresce no Rio Grande do Sul com mais clubes, categorias de base e presença nacional

O futebol feminino no Rio Grande do Sul vive um ciclo de expansão sustentado pela presença de Grêmio, Internacional e Juventude na elite nacional, pelo aumento de clubes no Gauchão e pela consolidação das categorias de base. O crescimento, porém, ainda ocorre de forma desigual entre os grandes centros e o interior.

O futebol feminino no Rio Grande do Sul atravessa um período de expansão marcado pela presença de clubes gaúchos nas principais competições nacionais, pelo fortalecimento das categorias de base e pelo aumento do número de equipes no Campeonato Gaúcho. O movimento ainda não representa uma transformação completa da modalidade, mas indica uma estrutura mais ampla do que a existente poucos anos atrás.

Em 2026, Grêmio, Internacional e Juventude representam o Estado na Série A1 do Campeonato Brasileiro Feminino. O Brasil de Farroupilha disputa a Série A3. No cenário estadual, o Gauchão Feminino reúne dez clubes, enquanto a Federação Gaúcha de Futebol também organiza torneios Sub-20, Sub-17 e Sub-15. A combinação entre equipes tradicionais, projetos do interior e competições de formação ampliou o número de caminhos para as jogadoras.

Os dados e resultados recentes mostram um crescimento com avanços importantes, mas também com oscilações. Em 2025, por exemplo, o Gauchão Feminino adulto teve apenas cinco participantes, no menor número desde que a competição passou a ser organizada pela Federação Gaúcha de Futebol, em 2018. Já a edição de 2026 voltou a reunir dez clubes, sinal de recuperação da participação estadual, ainda que o processo permaneça dependente de planejamento, recursos e continuidade.

Três clubes gaúchos na elite nacional

A presença simultânea de Grêmio, Internacional e Juventude na Série A1 é um dos principais indicadores da força atual do futebol feminino gaúcho. A temporada de 2026 começou com 18 equipes na primeira divisão nacional, quatro a mais do que no ano anterior, e com calendário ampliado para 167 partidas. O Rio Grande do Sul manteve três representantes na elite, enquanto o Brasil de Farroupilha entrou na Série A3.

Essa presença oferece às atletas maior exposição, mais jogos de alto nível e possibilidades de desenvolvimento profissional. Também aumenta a responsabilidade dos clubes, que precisam manter elencos competitivos, comissões técnicas qualificadas, departamentos médicos e estruturas de treinamento compatíveis com o calendário nacional.

O Grêmio chega ao período como bicampeão estadual. A equipe venceu o Gauchão Feminino de 2025 com nove vitórias, dois empates e uma derrota, conquistando o sexto título estadual de sua história. Na decisão, derrotou o Juventude, que terminou como vice-campeão e se consolidou como uma das principais forças do Estado.

O Internacional, por sua vez, mantém papel central na formação de jogadoras. Em 2025, as Gurias Coloradas conquistaram o Gauchão Feminino Sub-17 pela quarta vez. A equipe terminou a campanha com seis vitórias, um empate e uma derrota, além de 40 gols marcados e apenas dois sofridos. O desempenho reforça a importância do clube na transição entre a iniciação esportiva e o futebol de alto rendimento.

O estadual como base de sustentação

O Gauchão Feminino é o principal espaço de competição entre clubes do Estado. Além de definir o campeão estadual, o torneio cria oportunidades para equipes que não disputam as divisões mais altas do Campeonato Brasileiro e ajuda a revelar jogadoras fora da Região Metropolitana.

Na edição de 2026, participam As Minas de Candiota, Brasil de Farroupilha, Estrela Benfica, Flamengo de São Pedro, Futvida, Grêmio, Internacional, Juventude, Dr. Salomé Goulart Raiz e União Forquetense. A lista reúne clubes de Porto Alegre e de diferentes regiões, com representantes de cidades como Candiota, Farroupilha, São Pedro do Sul e Forquetinha.

A ampliação do campeonato é relevante porque o desenvolvimento da modalidade depende de uma rede de equipes, e não apenas dos clubes mais conhecidos. Quanto maior o número de participantes, maior tende a ser a quantidade de atletas em atividade, profissionais envolvidos e partidas disputadas. O aumento também pode estimular projetos locais, patrocínios regionais e a formação de torcidas.

Os resultados de 2026 mostram que o interior ocupa espaço crescente. O Brasil de Farroupilha foi campeão do Interior em 2025 e disputa a Série A3 nacional em 2026. Flamengo de São Pedro e União Forquetense também avançaram na competição estadual de 2026, segundo a Federação Gaúcha de Futebol. Esses exemplos indicam que a modalidade não está restrita à dupla Gre-Nal.

Formação de atletas ganha peso

O avanço mais consistente do futebol feminino no Rio Grande do Sul aparece nas categorias de base. Em 2025, a Federação Gaúcha de Futebol realizou competições estaduais Sub-20, Sub-17 e Sub-15. A ampliação dos torneios cria uma sequência de formação e oferece às atletas oportunidades de competição em diferentes fases da carreira.

No Sub-17, Internacional e Grêmio fizeram uma final equilibrada. Depois de uma vitória para cada lado nos jogos decisivos, o título ficou com as Gurias Coloradas nos pênaltis. A competição também contou com a participação da ADERGS, de Tapejara, que conquistou o título do Interior diante do Brasil de Farroupilha.

Para 2026, o Gauchão Feminino Sub-17 terá oito clubes: ADERGS, Aimoré, As Minas de Candiota, Grêmio, Internacional, Juventude, Mar Azul e Novo Hamburgo. A competição está prevista para começar em 3 de outubro e terminar no fim de novembro. A presença de equipes de Tapejara, Torres, São Leopoldo, Candiota, Caxias do Sul e Novo Hamburgo amplia a distribuição geográfica do torneio.

A base gaúcha também ganhou projeção nacional. No Campeonato Brasileiro Feminino Sub-17 de 2025, Grêmio, Internacional e ADERGS representaram o Estado em uma competição que passou de 16 para 24 participantes. A final foi disputada em Porto Alegre, entre Corinthians e Grêmio. Embora o título tenha ficado com a equipe paulista, a presença de um clube gaúcho na decisão evidenciou a competitividade construída no Estado.

Mais calendário, mais oportunidades

O crescimento do futebol feminino depende diretamente da quantidade e da regularidade dos jogos. Uma temporada com competições estaduais, nacionais e de base permite que as atletas tenham sequência, que as comissões técnicas trabalhem com objetivos definidos e que os clubes mantenham departamentos ativos por mais meses.

Em 2026, a Série A1 passou a contar com 18 equipes e calendário mais extenso. Além disso, todos os participantes garantiram vaga na Copa do Brasil Feminina. Para os clubes gaúchos, a participação em diferentes torneios representa mais partidas contra adversários de outros estados e maior contato com modelos de jogo, estruturas e níveis de investimento distintos.

A expansão do calendário, no entanto, exige planejamento. O Gauchão Feminino é disputado paralelamente a competições nacionais, o que pode provocar conflitos de datas e dificuldades logísticas. Clubes com menor orçamento enfrentam desafios maiores para transportar delegações, manter centros de treinamento e oferecer condições semelhantes às das equipes que possuem estrutura profissional consolidada.

Investimento ainda é desigual

O futebol feminino gaúcho avançou, mas o crescimento não ocorre de maneira uniforme. Grêmio, Internacional e Juventude contam com maior visibilidade, torcidas numerosas e presença regular em competições nacionais. No interior, muitos projetos dependem de iniciativas locais, apoio de patrocinadores e capacidade de manter as equipes durante toda a temporada.

A diferença de recursos influencia a montagem dos elencos, a contratação de profissionais, a preparação física, o atendimento médico e a disponibilidade de campos. Também interfere na possibilidade de oferecer bolsas, salários e condições de permanência para as atletas. Sem continuidade, projetos que surgem em uma temporada podem ter dificuldade para disputar o campeonato seguinte.

O número reduzido de participantes no Gauchão de 2025 expôs essa fragilidade. A competição teve apenas cinco equipes, apesar de o Estado reunir clubes tradicionais e projetos em expansão. A retomada para dez participantes em 2026 é positiva, mas ainda não elimina a necessidade de políticas de longo prazo para assegurar a permanência dos clubes.

O desafio de transformar crescimento em continuidade

O avanço da modalidade pode ser medido por títulos, número de clubes e presença em torneios nacionais, mas a consolidação exige indicadores mais amplos. É necessário acompanhar a quantidade de atletas formadas no Estado, a transição para as equipes adultas, a duração dos projetos, o público nos estádios e a capacidade de gerar receitas próprias.

Também será decisivo ampliar a oferta de futebol feminino fora dos grandes clubes. Escolas, projetos comunitários, associações e equipes do interior podem funcionar como portas de entrada para meninas que vivem longe dos centros esportivos mais estruturados. A existência de competições Sub-15 e Sub-17 ajuda nesse processo, mas o acesso depende igualmente de transporte, campos adequados e profissionais preparados.

Outro ponto é a visibilidade. A transmissão de partidas, a divulgação de resultados e a produção de conteúdo sobre as equipes aumentam o alcance do campeonato e podem aproximar torcedores, patrocinadores e novas praticantes. A modalidade precisa ser tratada como parte permanente do calendário esportivo, e não apenas como complemento das atividades masculinas.

O Rio Grande do Sul já apresenta uma combinação relevante de tradição, clubes competitivos e formação de atletas. A presença de três equipes na Série A1, a participação do Brasil de Farroupilha na Série A3 e a ampliação do Gauchão mostram que o Estado ocupa posição importante no futebol feminino brasileiro.

O próximo passo será transformar esses resultados em uma estrutura estável. Para isso, será necessário manter os campeonatos, fortalecer os clubes do interior, ampliar o investimento nas categorias de base e reduzir a distância entre as equipes mais ricas e as demais. O crescimento existe, mas sua consolidação dependerá da capacidade de garantir continuidade para as jogadoras e para os projetos que sustentam a modalidade.

Fontes: Federação Gaúcha de Futebol e Confederação Brasileira de Futebol.