Períodos de baixa umidade do ar podem causar ressecamento, ardência, vermelhidão, coceira e sensação de areia nos olhos. No Rio Grande do Sul, esses sintomas podem aparecer ou se intensificar em dias de tempo seco, especialmente quando há vento, poeira, fumaça, exposição prolongada ao sol ou uso frequente de ar-condicionado.
Isso acontece porque a baixa umidade favorece a evaporação da lágrima, película que lubrifica, limpa e protege a superfície ocular. Quando a proteção natural diminui, os olhos ficam mais vulneráveis à irritação e ao desconforto. As orientações abaixo ajudam a proteger os olhos na baixa umidade, mas não substituem a avaliação de um oftalmologista.
Quais são os efeitos do tempo seco sobre os olhos?
A lágrima mantém a superfície do olho hidratada e contribui para sua defesa contra partículas e agentes externos. Em ambientes secos, a evaporação pode aumentar e provocar sintomas compatíveis com ressecamento ocular.
Os sinais mais comuns incluem ardência, coceira, vermelhidão, sensação de corpo estranho ou de areia, sensibilidade à luz, cansaço visual e visão temporariamente embaçada. Em algumas pessoas, o olho também pode lacrimejar mais, como uma reação à irritação.
Segundo informações da Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde, vento, clima quente e seco, fumaça e ar-condicionado estão entre os fatores que podem aumentar a evaporação da lágrima e favorecer a síndrome do olho seco.
1. Evite o vento direto no rosto
Ventiladores, aparelhos de ar-condicionado, aquecedores e o fluxo de ar durante deslocamentos podem ressecar ainda mais os olhos. Sempre que possível, direcione esses equipamentos para longe do rosto e evite permanecer por longos períodos diante de correntes de ar.
Ao sair, óculos de grau ou modelos com proteção lateral podem ajudar a reduzir o contato direto com vento, poeira e partículas. Em ambientes externos, óculos de sol com proteção contra radiação ultravioleta também ajudam a proteger os olhos da luz intensa e de parte dos agentes irritantes.
2. Mantenha o ambiente confortável
Em locais fechados, procure manter o ambiente ventilado, mas sem corrente de ar diretamente sobre os olhos. Umidificadores podem ser usados quando houver necessidade, desde que sejam higienizados de acordo com as orientações do fabricante. Equipamentos sujos podem acumular microrganismos e partículas.
Recipientes com água ou toalhas úmidas podem ser utilizados como medidas auxiliares, mas não substituem a limpeza adequada do ambiente nem garantem o controle preciso da umidade. Também é importante evitar excesso de calor em cômodos fechados, pois o ar quente pode agravar a sensação de ressecamento.
3. Pisque com mais frequência durante o uso de telas
Ao usar celular, computador ou televisão, a tendência é piscar menos. Isso favorece a evaporação da lágrima e pode intensificar o desconforto em dias secos.
Faça pausas regulares durante atividades que exigem concentração visual. A cada período de uso, desvie o olhar da tela, pisque conscientemente e relaxe os olhos por alguns instantes. Ajustar o brilho, reduzir reflexos e manter a tela em posição ligeiramente abaixo da linha dos olhos também pode melhorar o conforto.
A página do Ministério da Saúde sobre doenças oculares recomenda atenção ao uso excessivo de telas, que pode contribuir para ressecamento e cansaço visual.
4. Use lágrimas artificiais somente com orientação adequada
Colírios lubrificantes, conhecidos como lágrimas artificiais, podem aliviar sintomas de ressecamento. A escolha do produto depende da frequência dos sintomas, do uso de lentes de contato, de doenças oculares prévias e de outros medicamentos.
Antes de usar qualquer colírio, leia a bula e, se houver dúvida, procure orientação de um farmacêutico ou oftalmologista. Evite utilizar por conta própria colírios destinados a “tirar a vermelhidão”, antibióticos ou medicamentos com corticoide. Esses produtos não são indicados para todos os casos e podem causar problemas quando usados sem avaliação profissional.
Também não compartilhe colírios com outras pessoas e não encoste a ponta do frasco nos olhos ou nos cílios. Esses cuidados reduzem o risco de contaminação.
5. Hidrate-se e cuide da rotina
A ingestão adequada de água faz parte dos cuidados gerais com a saúde e pode ser especialmente importante em períodos de calor e ar seco. A quantidade necessária varia conforme idade, atividade física, alimentação, temperatura e condições de saúde. Pessoas com restrição de líquidos devem seguir a orientação médica.
Dormir bem e fazer pausas durante atividades visuais também contribuem para reduzir o cansaço ocular. O Ministério da Saúde recomenda manter hábitos que favoreçam a saúde dos olhos, como consultas regulares, alimentação equilibrada e atenção a alterações na visão.
6. Proteja os olhos do sol, da poeira e da fumaça
A baixa umidade costuma vir acompanhada de maior presença de poeira e partículas suspensas. Evite locais com fumaça, não permaneça perto de queimadas e use proteção adequada em atividades que possam liberar pó ou resíduos.
Óculos de sol devem ter proteção comprovada contra raios ultravioleta. Modelos sem filtro UV não oferecem a mesma proteção e podem não ser adequados para exposição prolongada ao sol. O acessório não substitui o uso de equipamentos de proteção específicos em ambientes de trabalho.
Não coce os olhos, mesmo quando houver coceira. O hábito pode aumentar a irritação e causar lesões na superfície ocular. Lavar as mãos antes de tocar o rosto e evitar levar as mãos aos olhos também ajuda a reduzir a entrada de sujeira e microrganismos.
7. Tenha atenção ao uso de lentes de contato
O tempo seco pode aumentar o desconforto de quem usa lentes de contato. Respeite o período de uso indicado pelo fabricante ou pelo oftalmologista, mantenha a higiene correta e nunca durma com as lentes, exceto quando houver indicação expressa para o modelo utilizado.
Não use água da torneira, saliva ou soluções improvisadas para limpar ou umedecer as lentes. Também não prolongue o uso de uma solução depois do prazo recomendado. Caso surjam dor, vermelhidão intensa, secreção ou piora da visão, retire as lentes e procure atendimento.
Quando procurar um oftalmologista?
Sintomas leves e ocasionais podem melhorar com a redução da exposição ao ar seco, pausas nas telas e uso adequado de lubrificação. No entanto, é importante buscar avaliação médica quando o desconforto é frequente, persiste por vários dias ou interfere na leitura, no trabalho e nas atividades cotidianas.
Procure atendimento com prioridade se houver dor intensa, perda ou piora importante da visão, sensibilidade excessiva à luz, secreção, trauma, presença de corpo estranho, vermelhidão acentuada ou sintomas em apenas um olho que se agravem rapidamente. Esses sinais podem ter outras causas além do ressecamento.
Pessoas que já têm síndrome do olho seco, alergias oculares, doenças nas pálpebras, glaucoma, alterações na córnea ou que usam medicamentos contínuos podem precisar de acompanhamento individualizado.
O que evitar em dias de baixa umidade
- Usar colírios por indicação de amigos ou familiares;
- Aplicar medicamentos com antibiótico ou corticoide sem prescrição;
- Direcionar ventilador, ar-condicionado ou aquecedor para o rosto;
- Coçar os olhos;
- Usar óculos de sol sem proteção contra radiação ultravioleta;
- Ficar longos períodos diante de telas sem pausas;
- Manter umidificadores sem limpeza adequada;
- Usar lentes de contato além do período recomendado.
Cuidados ajudam, mas não substituem o diagnóstico
Proteger os olhos na baixa umidade envolve reduzir o contato com vento e fumaça, piscar com frequência, fazer pausas nas telas, manter o ambiente confortável e buscar orientação para escolher colírios lubrificantes. Essas medidas podem aliviar o desconforto, mas não identificam a causa do problema.
Se os sintomas forem persistentes ou vierem acompanhados de dor, secreção ou alteração visual, a recomendação é procurar uma unidade de saúde ou um oftalmologista. O diagnóstico correto evita a automedicação e permite indicar o tratamento mais adequado para cada caso.