segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Como evitar acidentes domésticos com idosos no Rio Grande do Sul

Saiba como evitar acidentes domésticos com idosos no Rio Grande do Sul, com orientações sobre prevenção de quedas, segurança no banheiro, uso de medicamentos, queimaduras, intoxicações e atendimento em emergências.

Evitar acidentes domésticos com idosos exige atenção à estrutura da casa, à rotina e às condições de saúde da pessoa. No Rio Grande do Sul, familiares, cuidadores e os próprios idosos podem adotar medidas simples para reduzir riscos de quedas, queimaduras, intoxicações, cortes e outros incidentes dentro da residência.

As quedas são uma das principais preocupações. Segundo o Ministério da Saúde, elas podem causar fraturas, traumatismos, contusões, perda de mobilidade, medo de cair novamente e redução da autonomia. O órgão destaca que a prevenção depende de cuidados com o ambiente, com a saúde e com os hábitos cotidianos. Veja as orientações do Ministério da Saúde. (gov.br)

Faça uma inspeção completa na casa

O primeiro passo é observar a residência do ponto de vista de quem tem mais dificuldade para enxergar, caminhar, levantar ou manter o equilíbrio. Fios soltos, móveis mal posicionados, objetos no chão, tapetes sem fixação, pisos molhados e ambientes pouco iluminados aumentam o risco de tropeços.

Durante a inspeção, percorra os caminhos usados com mais frequência: o trajeto entre a cama e o banheiro, a passagem até a cozinha, as escadas, a entrada da casa, o pátio e a área de serviço. Retire obstáculos e mantenha os objetos de uso diário em locais de fácil alcance. A equipe de Saúde da Família e os agentes comunitários também podem ajudar a identificar riscos durante visitas domiciliares, especialmente quando o idoso já sofreu quedas. (saude.rs.gov.br)

  • Remova tapetes soltos ou fixe-os com material antiderrapante.
  • Retire fios, caixas, brinquedos e objetos espalhados pelo caminho.
  • Evite encerar o piso e corrija superfícies escorregadias ou irregulares.
  • Mantenha corredores e passagens livres.
  • Prenda estantes e móveis instáveis à parede.
  • Reduza a circulação de animais domésticos em áreas de passagem, quando houver risco de tropeço.

Priorize o banheiro

O banheiro combina água, piso escorregadio, mudanças de postura e pouco espaço para movimentação. Por isso, deve ser um dos primeiros cômodos adaptados.

Instale barras de apoio firmemente fixadas dentro do boxe e próximas ao vaso sanitário. Barras improvisadas ou presas apenas em revestimentos frágeis não oferecem segurança suficiente. Quando necessário, avalie com um profissional a instalação de um banco fixo ou de uma cadeira própria para banho.

O piso deve ser antiderrapante e permanecer seco sempre que possível. Deixe sabonete, xampu, toalha e roupas ao alcance das mãos para evitar que o idoso precise se esticar ou sair do boxe molhado. O Ministério da Saúde também recomenda atenção à altura do vaso sanitário, à estabilidade dos apoios e à facilidade para sentar e levantar. (bvsms.saude.gov.br)

Evite trancar a porta do banheiro por dentro. Se a privacidade permitir, uma porta que possa ser aberta pelo lado de fora em uma emergência pode facilitar o socorro. Também é importante garantir ventilação, iluminação adequada e espaço suficiente para o uso de bengala, andador ou cadeira de rodas.

Redobre o cuidado no quarto e durante a noite

O caminho entre a cama e o banheiro é um dos pontos críticos, principalmente quando o idoso se levanta no escuro. Instale luz de presença ou mantenha uma luminária de fácil acionamento ao lado da cama. Uma lanterna também pode ficar disponível em local conhecido.

A cama deve ter altura que permita sentar e levantar sem esforço excessivo. Óculos, telefone, água e medicamentos autorizados para aquele horário devem ficar em uma mesa de cabeceira estável, sem exigir que a pessoa se incline demais ou caminhe no escuro.

Oriente o idoso a se sentar na cama antes de ficar em pé. Em caso de tontura, fraqueza ou visão turva, é mais seguro permanecer sentado e pedir ajuda. Levantar rapidamente pode favorecer perda de equilíbrio, especialmente em pessoas que usam medicamentos ou apresentam alterações de pressão.

Use escadas, corredores e áreas externas com segurança

Escadas devem ter corrimão firme, preferencialmente dos dois lados quando isso for possível. Os degraus precisam estar bem iluminados, sem objetos e com superfície que reduza o risco de escorregamento. Fitas antiderrapantes e sinalização visual podem ajudar, desde que estejam bem fixadas e não criem novos desníveis.

Não deixe o idoso subir em bancos, cadeiras ou escadas improvisadas para alcançar armários. Objetos de uso frequente devem ficar entre a altura dos braços e o alcance confortável das mãos. A Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde recomenda organizar armários para evitar o uso de bancos e escadas. (bvsms.saude.gov.br)

Em casas com pátio, garagem ou áreas externas, observe desníveis, pedras soltas, folhas molhadas, lodo e poças. Em períodos de chuva ou umidade, redobre a atenção com pisos escorregadios na entrada da residência e nas áreas de circulação.

Reduza o risco de queimaduras e incêndios

Na cozinha, panelas com cabos voltados para dentro do fogão diminuem o risco de esbarrões. Evite deixar líquidos quentes nas bordas de mesas e bancadas. Recipientes com água, café, sopa ou óleo devem ser transportados com cuidado e, quando possível, por outra pessoa.

O idoso não deve usar bancos ou cadeiras para alcançar armários altos. Facas, fósforos, isqueiros, álcool, produtos inflamáveis e utensílios muito pesados precisam ser guardados em locais seguros. Também é importante verificar regularmente mangueiras, registros e equipamentos a gás, sem improvisar consertos.

Em caso de queimadura, não aplique pasta de dente, pó de café, óleo, manteiga ou pomadas sem orientação. O Corpo de Bombeiros orienta resfriar a área com água corrente, não furar bolhas e não retirar roupas grudadas à pele. Em queimaduras extensas, profundas, elétricas ou que atinjam face, mãos, articulações ou genitais, procure atendimento urgente. (cbm.sc.gov.br)

Organize medicamentos e produtos de limpeza

Medicamentos devem permanecer nas embalagens originais, com nome, dose e horário claramente identificados. Evite guardar comprimidos soltos em potes sem rótulo. A lista de remédios deve ser atualizada e levada às consultas, incluindo produtos comprados sem receita, vitaminas e fitoterápicos.

Não altere dose, horário ou combinação de medicamentos por conta própria. O Ministério da Saúde alerta que alguns remédios podem aumentar o risco de quedas, e a revisão da prescrição deve ser feita com a equipe de saúde. (gov.br)

Produtos de limpeza, inseticidas, raticidas, agrotóxicos e substâncias químicas devem ficar separados dos alimentos e fora do alcance de pessoas que possam confundi-los. Nunca coloque produtos de limpeza em garrafas de água ou recipientes de alimentos.

No Rio Grande do Sul, em caso de suspeita de intoxicação, o Centro de Informação Toxicológica atende pelo telefone 0800 721 3000, em plantão permanente. Tenha em mãos o nome do produto, a quantidade aproximada, o horário do contato e os sintomas apresentados. Não provoque vômito nem ofereça substâncias caseiras sem orientação especializada. (saude.rs.gov.br)

Cuide da visão, dos pés e do equilíbrio

A segurança da casa não substitui o acompanhamento da saúde. Exames de visão, avaliação dos pés e revisão dos medicamentos podem identificar fatores que favorecem acidentes. Calçados fechados, firmes e com solado antiderrapante são mais seguros do que chinelos frouxos, calçados sem tira ou meias usadas diretamente sobre o piso.

Atividades físicas orientadas por profissionais podem contribuir para força muscular, equilíbrio e mobilidade. O tipo de exercício deve considerar as condições clínicas e as limitações de cada pessoa. Bengalas, andadores e outros dispositivos de apoio precisam ter tamanho adequado e ponteiras em bom estado.

Uma queda anterior deve ser comunicada à equipe de saúde, mesmo quando não houver ferimento aparente. O episódio pode indicar alteração de visão, equilíbrio, força, pressão, ambiente ou uso de medicamentos. (gov.br)

Saiba como agir depois de uma queda

Após uma queda, mantenha a calma e observe se há dor intensa, deformidade, sangramento, confusão, desmaio, dificuldade para respirar ou incapacidade de movimentar algum membro. Não force a pessoa a se levantar, pois isso pode agravar uma fratura ou outra lesão.

Em situações de urgência ou emergência, acione o SAMU pelo 192. O serviço é indicado para ocorrências com risco de morte, sequelas ou sofrimento intenso. Em incêndios, resgates e situações de risco, o número do Corpo de Bombeiros é 193. (rs.gov.br)

Enquanto aguarda ajuda, mantenha o idoso confortável, evite movimentações desnecessárias e não ofereça comida, bebida ou medicamentos se houver alteração de consciência. Mesmo quando a pessoa afirma estar bem, uma avaliação profissional pode ser necessária, principalmente após pancada na cabeça, dor persistente ou uso de anticoagulantes.

Monte uma rotina de prevenção

A prevenção funciona melhor quando envolve o idoso nas decisões. Explique o motivo de cada adaptação e evite mudanças bruscas na posição dos móveis, pois a pessoa pode estar acostumada a circular de determinada maneira.

Uma lista de verificação pode ser revisada semanalmente: piso seco, iluminação funcionando, tapetes firmes, caminhos livres, barras de apoio estáveis, medicamentos organizados, produtos tóxicos guardados e telefone acessível. Também é útil deixar contatos de familiares, cuidadores e serviços de emergência em local visível.

Com adaptações progressivas e acompanhamento de saúde, a residência pode se tornar mais segura sem retirar a autonomia do idoso. O objetivo não é limitar a circulação, mas reduzir riscos e permitir que as atividades do dia a dia sejam realizadas com mais confiança.

Fontes: Ministério da Saúde, Biblioteca Virtual em Saúde, Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul e Anvisa.