segunda-feira, 28 de setembro de 2026
SAÚDE

Atividade física na terceira idade: cuidados e opções para idosos no Rio Grande do Sul

A atividade física na terceira idade contribui para a autonomia, o equilíbrio, a força muscular e o controle de doenças crônicas. Saiba quais exercícios são indicados, como iniciar uma rotina com segurança e onde buscar orientação no Rio Grande do Sul.

A atividade física na terceira idade é uma das principais estratégias para preservar a autonomia, melhorar o equilíbrio e ajudar no controle de doenças crônicas. Para pessoas com 60 anos ou mais, manter o corpo em movimento pode contribuir para a saúde do coração, a força muscular, a qualidade do sono, o bem-estar emocional e a prevenção de quedas.

No Rio Grande do Sul, a orientação pode ser buscada na Unidade Básica de Saúde (UBS) de referência, nas equipes de Atenção Primária à Saúde e em programas municipais de atividade física. O Estado também mantém o Saúde 60+ RS, voltado ao cuidado especializado de pessoas idosas em situação de fragilidade ou com diagnóstico ou suspeita de demência, mediante encaminhamento pela rede de saúde.

A recomendação geral é começar de forma gradual, respeitar as condições individuais e combinar diferentes tipos de exercício. Pessoas com doenças crônicas, histórico de quedas, dor persistente, falta de ar ou limitações de mobilidade devem conversar com um profissional de saúde antes de iniciar ou intensificar a rotina.

Por que a atividade física é importante na velhice

O envelhecimento pode ser acompanhado por perda progressiva de força, redução do equilíbrio e diminuição da capacidade cardiorrespiratória. Esses fatores podem dificultar tarefas como levantar da cadeira, subir escadas, carregar compras ou caminhar por distâncias maiores.

A prática regular de atividade física ajuda a reduzir o sedentarismo e pode melhorar a capacidade funcional. Segundo o Ministério da Saúde, o movimento contribui para o controle do peso e da pressão arterial, fortalece músculos e ossos, favorece o equilíbrio e ajuda a manter a independência.

Também há benefícios relacionados à saúde mental e à convivência. Caminhadas, danças, exercícios em grupo e práticas corporais podem reduzir o isolamento social, estimular a interação e favorecer o sono e o humor. A atividade física ainda pode contribuir para a memória, a atenção e o raciocínio, embora não substitua o acompanhamento médico quando há sintomas cognitivos.

Quanto exercício uma pessoa idosa deve fazer

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira recomenda, de forma geral, que pessoas idosas busquem alcançar pelo menos 150 minutos semanais de atividade física de intensidade moderada, distribuídos ao longo da semana. Esse volume pode ser atingido com caminhadas, dança, deslocamentos ativos, atividades domésticas ou outras práticas adequadas à condição da pessoa.

O objetivo não deve ser alcançado de uma só vez. Quem está parado há muito tempo pode começar com períodos curtos, como cinco ou dez minutos, e aumentar gradualmente a duração. Qualquer movimento realizado dentro das possibilidades individuais é preferível à inatividade completa.

Além das atividades aeróbicas, é importante incluir exercícios de fortalecimento muscular pelo menos duas vezes por semana, quando não houver contraindicação. O documento de orientação da Secretaria da Saúde do Rio Grande do Sul também destaca a combinação de exercícios aeróbicos, resistidos e de flexibilidade, sempre com acompanhamento adequado quando necessário.

Quais exercícios são mais indicados para idosos

Caminhada

A caminhada é uma das opções mais acessíveis. Pode ser feita em ruas tranquilas, parques, pistas ou espaços comunitários, desde que o local seja seguro e tenha piso regular. O ritmo deve permitir a realização da atividade sem dor, tontura ou falta de ar excessiva.

Para quem está começando, é possível alternar alguns minutos de caminhada com pausas. O tempo e a velocidade devem ser aumentados aos poucos. Em dias muito quentes, frios ou com condições climáticas adversas, é recomendável escolher horários mais seguros ou optar por um ambiente protegido.

Exercícios de força

O fortalecimento muscular ajuda a preservar a capacidade de realizar atividades do cotidiano e pode reduzir o risco de quedas. Exercícios com pesos leves, faixas elásticas, aparelhos ou o próprio peso corporal podem ser utilizados, desde que a execução seja orientada.

Movimentos como levantar e sentar em uma cadeira firme, quando indicados por um profissional, podem trabalhar a musculatura das pernas. O uso de objetos domésticos como pesos improvisados exige cuidado para evitar sobrecarga, perda de equilíbrio ou lesões. A carga e o número de repetições devem considerar a condição física de cada pessoa.

Equilíbrio e coordenação

Atividades que estimulam o equilíbrio são importantes para prevenir quedas. Dança, tai chi chuan, exercícios específicos de estabilidade e práticas orientadas de coordenação podem ser úteis. No entanto, pessoas com desequilíbrio importante devem realizar os exercícios próximas a um apoio firme e, se possível, acompanhadas.

Alongamento e flexibilidade

Alongamentos leves podem ajudar na mobilidade e na realização de tarefas diárias. Eles devem ser feitos sem movimentos bruscos e sem forçar até o ponto de dor. O ideal é que sejam associados a uma rotina mais ampla, que também inclua força, equilíbrio e atividade aeróbica.

Atividades na água e dança

Hidroginástica e natação podem ser alternativas para pessoas que preferem atividades com menor impacto nas articulações. A dança também combina movimento, coordenação e convivência social. A escolha deve levar em conta o acesso ao local, a segurança, o prazer proporcionado e a capacidade funcional do idoso.

Como começar com segurança

Antes de iniciar uma rotina, é importante informar à equipe de saúde quais doenças foram diagnosticadas, quais medicamentos são usados e se já ocorreram quedas ou episódios de tontura. Pessoas com hipertensão, diabetes, doenças cardíacas, problemas respiratórios, osteoporose ou dores articulares podem precisar de adaptações.

O início deve ser lento, com aumento progressivo da duração e da intensidade. Roupas confortáveis, calçados firmes e hidratação adequada ajudam a tornar a prática mais segura. Em atividades ao ar livre, também é necessário proteger a pele do sol e evitar horários de calor intenso.

Durante o exercício, a pessoa deve interromper a atividade e procurar orientação se apresentar dor no peito, falta de ar intensa ou diferente do habitual, desmaio, tontura persistente, palpitações importantes ou dor aguda. Esses sinais não devem ser ignorados.

Também é preciso evitar levantar-se rapidamente após ficar sentado ou deitado, especialmente quando há histórico de tontura. O Guia de Atividade Física para a População Brasileira recomenda atenção a esse movimento, além do uso de óculos, aparelho auditivo ou dispositivos de apoio quando indicados.

Atividade física e prevenção de quedas

As quedas estão entre os principais riscos à saúde na velhice e podem causar fraturas, perda de confiança e redução da independência. Fraqueza muscular, equilíbrio reduzido, marcha lenta, uso de vários medicamentos e obstáculos dentro de casa podem aumentar esse risco.

Exercícios de força e equilíbrio ajudam a melhorar a capacidade de reação e a estabilidade corporal. Mas a prevenção deve incluir também medidas no ambiente doméstico: retirar tapetes soltos, manter corredores iluminados, organizar fios, instalar barras de apoio quando necessário e usar calçados firmes.

Quem já caiu, sente insegurança para caminhar ou tem dificuldade para realizar tarefas diárias deve relatar a situação à equipe da UBS. A avaliação pode indicar a necessidade de fisioterapia, revisão de medicamentos, investigação de problemas de visão ou audição e adaptações na residência.

Como buscar orientação no SUS do Rio Grande do Sul

O primeiro caminho é procurar a Unidade Básica de Saúde do município. A equipe de Atenção Primária pode avaliar a condição geral, identificar fatores de risco, orientar sobre atividades adequadas e informar a existência de grupos, polos ou programas disponíveis na cidade.

O Guia de Atividade Física para a População Brasileira também orienta que as pessoas procurem as secretarias municipais de esporte, lazer, assistência social e políticas para a pessoa idosa. A oferta varia de acordo com cada município, por isso é necessário confirmar diretamente na prefeitura ou na rede local.

Outra possibilidade é o Programa Academia da Saúde, que reúne espaços públicos com atividades físicas, práticas corporais e ações de educação em saúde. A presença e o funcionamento dos polos dependem da organização municipal.

No Estado, a política de saúde da pessoa idosa busca preservar a capacidade funcional, a autonomia e a independência da população com 60 anos ou mais. O Saúde 60+ RS atende principalmente pessoas idosas classificadas como frágeis na Atenção Primária ou com diagnóstico ou suspeita de demência. O acesso ocorre por encaminhamento da rede, conforme os fluxos de regulação.

Cuidados com alimentação, água e descanso

A atividade física deve fazer parte de um conjunto de hábitos saudáveis. Alimentação equilibrada, ingestão adequada de líquidos, sono regular e acompanhamento das doenças crônicas são importantes para sustentar a rotina de exercícios.

Pessoas com diabetes precisam de atenção especial ao horário da atividade, à alimentação e ao uso de medicamentos, principalmente quando fazem exercícios mais intensos. A alteração da dose de insulina ou de outros remédios só deve ser feita com orientação profissional.

Também é importante evitar perda de peso sem explicação, desidratação e esforço excessivo. A progressão deve ser gradual, e os intervalos de descanso fazem parte do treinamento.

Checklist para iniciar uma rotina

  • Procure a UBS se tiver doença crônica, dor, falta de ar, tontura ou histórico de quedas.
  • Escolha uma atividade prazerosa, acessível e compatível com sua condição física.
  • Comece com poucos minutos e aumente o tempo aos poucos.
  • Combine caminhada ou outra atividade aeróbica com exercícios de força, equilíbrio e flexibilidade.
  • Use roupas confortáveis, calçados firmes e proteção adequada para atividades ao ar livre.
  • Beba água e prefira horários com temperatura mais amena.
  • Interrompa o exercício diante de sintomas importantes e busque orientação.
  • Verifique na prefeitura e na unidade de saúde a existência de grupos gratuitos ou programas comunitários.

Na terceira idade, a atividade física não precisa ser intensa para trazer benefícios. O mais importante é manter regularidade, segurança e adequação às condições de cada pessoa. Com orientação da rede de saúde e progressão gradual, o movimento pode ajudar o idoso a conservar autonomia e participação nas atividades do dia a dia.